CELIA PERRONE
Depois que o governo cedeu às pressões dos militares e os excluiu da reforma da Previdência Social, associações e sindicatos de diversas categorias se encorajaram para pressionar contra as mudanças. A lista é encabeçada por policiais e professores, que têm aposentadoria especial. Podem se retirar do mercado depois de 25 anos de trabalho.
Nesta semana, 37 entidades Filiadas ao Conselho Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE) pretendem invadir o Congresso para protestar contra a reforma e a renegociação das dívidas dos estados com a União, que tem, como contrapartida, a proibição de aumentos salariais. “Os educadores vão lutar contra a retirada de direitos dos trabalhadores”, diz o presidente do CNTE, Roberto Leão.
Os policiais já deram sinais de mostra do descontentamento. Na semana passada, 19 diretores de diversas entidades se encontraram com integrantes do governo para discutir a reforma previdenciária. Entre elas, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), a Associação Nacional das Mulheres Policiais do Brasil (Ampol), o Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal, a Associação dos Delegados Federais (DPF), a Ordem dos Policiais do Brasil (OPB) e representantes de Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.
A diretora de Comunicação da Fenapef, Magne Cristine, destaca que os riscos da atividade policial podem gerar doenças físicas e psicológicas, como depressão, embriaguez e suicídio, que, somadas aos casos de mortes no desempenho da atividade, justificam a aposentadoria diferenciada. “A violência no Brasil tem índices altíssimos e o efetivo policial está aquém do necessário, o que implica que, constantemente, em jornada de trabalho além do expediente normal”, afirma. “Quando se quer tratar de regras gerais, é preciso também considerar as situações excepcionais, e a dos profissionais de segurança pública é uma delas”, completa.
Para o especialista em Previdência e finanças públicas Renato Follador, os argumentos dos policiais são válidos. “Mas aposentadoria aos 47 anos, como ocorre com os policiais militares, é um absurdo nos dias atuais. Coronéis com os quais converso admitem que 55 anos seria uma idade mínima razoável”, defende. “Temos que encontrar o meio termo. É muito importante as regras aplicadas aos militares que se aproximem das dos civis para termos uma sociedade mais justa. Mesmo porque, os civis correm tantos riscos quanto os policiais ao viverem em cidades violentas, como Rio de Janeiro, São Paulo e, agora várias do Rio Grande do Norte”, salienta.
Segundo Simão Silber, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, grupos organizados vão pressionar para não perder benefícios. “Não será tarefa trivial resistir às pressões. Se olhar experiências semelhantes, como as reformas de 2001 e de 2012, essas entidades sempre se mobilizaram. Resta saber até que ponto o governo interino terá força política para não ceder”, diz. “O âmago da questão é que o Executivo não tem autonomia para fazer os ajustes necessários. Depende de autorização legislativa e, enquanto tivermos 28 partidos no Congresso, será muito difícil aprovar reformas”, avalia.
Brasília, 09h01min


6 thoughts on “Policiais e professores se articulam para barrar reforma da Previdência”
Todos trabalhando até os 100 anos, enquanto isso o Estado paga bilhões em juros não auditados da dívida para que uns 0,001% da população não tenha que trabalhar jamais!
O especialista em Previdência e finanças públicas Renato Follador, que besteira vc falou, comparar o risco do cidadão com o risco de um policial e um absurdo, o policial corre risco tres vezes mais, na folga como cidadão o policial corre risco, na folga como policial, ele tem que agir a crimes, e de serviço, enquanto uns correm do tiroteio ele vai pra cima. Estude mas segurança pública, que disso vc provou que nao entende nada. So ano passado foram 89 suicidios, horas extras sem remuneração, fora, o especialista que nao sabe nada de segurança publica, as ameacas sofridas e as vinganças que varios policiais sofrem ou sofreram de BANDIDOS, que tenho certeza, vc jamais olharia no olho como faz um policial no brasil. Fale so do que vc sabe, e ja percebi, que até do assunto que o Sr se diz especialista, vc entende muito pouco tambem.
DESSE JEITO O CAMINHO SERA O IMPEACHMENT DESSE MICHEL TEMER!!!!! NEM AS MAIORES DITADURAS BRASILEIRAS NÃO TENTARAM TÃO GRAVEMENTE CONTRA OS TRABALHADORES. ABSURDO FALAR QUE PREVIDÊNCIA DOS POLICIAIS É PRIVILÉGIO. ARRISCAM A VIDA E MORREM POLICIAIS TODOS OS DIAS EM DEFESA DA POPULAÇÃO, E VEM UM INSANO DIZER ASNEIRAS NOS JORNAIS. NINGUÉM VAI MEXER NOS DIREITOS DOS TRABALHADORES BRASILEIROS, AINDA MAIS DOS POLICIAIS CIVIS E MILITARES DOS ESTADOS.
Os políticos também terão sua aposentadoria revista??? Querem que o povo trabalhe mais , mas eles continuarão com privilégios???
Realmente, muita infelicidade nessa comparação entre risco de morte do policial e dos cidadãos. Só por considerar que o policial também é cidadão nas suas folgas, já se admite o diferencial que é pelo risco da profissão. A violência aumentou absurdamente e o que se vê no Brasil é um efetivo policial reduzido e sucateado. Professores deprimidos e desesperançosos, sem aguentar mais trabalhar dando aulas para alunos que os ameaçam e não querem aprender. Vou aguardar as mudanças. Vamos ver quem ainda vai querer ser professor e policial neste país.
Realmente uma pena. A sociedade é jogada contra o policial. A única profissão em que o cidadão se predispõe a dar a vida por um terceiro. Vivemos num “giro”muito mais forte que qualquer outro profissional. Seu Renato Follador deveria adquirir um veículo zero, e andar só em primeira marcha apenas. Em pouco tempo este motor e demais peças estarão arrebentadas. Pode ser o melhor carro do mundo. É assim um policial após alguns anos, pois vivemos num estresse constante. O corpo não aguenta. Ridiculo se falar neste caso em idade minima. Então o melhor é entrar no mercado de trabalho bem mais tarde, como fazem os europeus, tão comparados por especialistas em previdência. Aqui trabalhamos desde a menoridade. E com pouco tempo de maioridade, se nos tornamos policiais, não se chega são fisica e mentalmente até 55 anos. É um absurdo.