Para Monica de Bolle, Teich não tinha mais condição de ficar no cargo

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ROSANA HESSEL

Ao avaliar a renúncia do ministro da Saúde, Nelson Teich, nesta sexta-feira (15/05), a economista Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics (PIIE), disse que não ficou surpresa com a saída de Teich em menos de um mês no cargo. “Isso era absolutamente esperado. Ele não tinha mais condição de ficar no cargo, porque tinha sido desautorizado mais de uma vez pelo presidente Jair Bolsonaro”, destacou ela, em entrevista ao Blog.

A economista demonstrou preocupação com o agravamento da crise no Brasil com a insistência de o presidente querer abrir logo a economia em vez de recomendar o isolamento social enquanto a pandemia não é controlada no país e a cura ainda deve demorar para ser encontrada. “A verdade é que o problema vai piorar no mundo todo. E, no Brasil, onde a situação está fora de controle, vair ser o caos”, alertou.

A pandemia já matou mais 300 mil pessoas no mundo e, no Brasil, o número de vítimas fatais chegou a 14,4 mil.

Vacina difícil

Monica de Bolle contou que existe um consenso que está se formando entre cientistas sobre a dificuldade para encontrar uma vacina contra a covid-19, porque o novo coronavírus tem apresentado características muito parecidas com as do HIV, o vírus da Aids, de acordo com especialistas que participam das discussões que ocorrem pelo mundo. Essa constatação tem preocupado bastante a comunidade científica.

Assim como o HIV, o Sars-Cov-2 pode não ter uma vacina, porque o vírus ataca o sistema imunológico dos pacientes. No caso do novo coronavírus, ele desenvolve um quadro de pneumonia inflamatória na vítima que impede uma aplicação de vacina, com risco de agravar o quadro clínico. E essa é a grande dificuldade para os laboratórios quando tentam encontrar uma cura, como ocorre no caso da Aids.

Em uma discussão recente entre grandes laboratórios globais e especialistas em vacina ficou claro que a cura será difícil de ser encontrada, de acordo com a economista. Ela tem participado de teleconferências internacionais sobre a pandemia que está colocando o mundo em uma recessão profunda.

Segundo a especialista, pesquisas que estão sendo publicadas nessa corrida para achar a vacina contra a covid-19 merecem ser vistas com cautela.  “Tem um problema sério de relatórios que estão saindo sem comprovação científica e que não estão respeitando os protocolos corretos”, afirmou Monica. Para ela, a cura ainda vai demorar para ser encontrada.

Um exemplo de informações desencontradas, segundo a professora da Universidade Johns Hopkins, é o da empresa de biotecnologia Sorrento, que animou o mercado e fez as ações da empresa dispararem quase 140% após o pequeno laboratório informar que teria encontrado a cura para a covid-19. “Não tem nada. A comunidade científica ainda está tentando entender o vírus”, frisou.

Vicente Nunes