Moody’s: Selic menor deve alavancar crédito privado

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ROSANA HESSEL

A agência de classificação de risco norte-americana Moody’s avaliou que o corte da taxa básica da economia, Selic para o menor patamar desde a implementação do Plano Real, deverá ajudar melhora da oferta de crédito privado para empresas não financeiras, além de ampliar o setor de debêntures, quando as companhias se financiam por meio da emissão de títulos.

Setores sensíveis à taxa de juros, incluindo serviços públicos e empresas de desenvolvimento e de projetos em infraestrutura, devem se beneficiar da taxa Selic mais baixa, porque isso ajudará a facilitar o refinanciamento”, informou a agência por meio de um relatório divulgado nesta sexta-feira (02/07), considerando o corte na Selic como positivo para a economia brasileira. A entidade destacou que a capacidade de desalavancagem das entidades nesses setores ainda dependerá do crescimento da receita, que dependerá do desemprenho econômico, principalmente.

A agência também aposta em um crescimento do mercado acionário e de debêntures. “A expansão contínua do mercado de capitais, impulsionada pela menor taxa Selic, permitirá que empresas não financeiras uma ampla gama de setores para obter financiamento sem intermediação bancária, o que amplia suas opções de financiamento e reduz as despesas com juros. Impulsionada em parte pela queda da taxa Selic, a emissão de debêntures no mercado local continua em alta”, afirmou.

Para os analistas da Moody’s, “uma queda sustentada das taxas de juros terá um impacto positivo sobre a dinâmica da dívida, pois reduzirá a magnitude da consolidação fiscal necessária para estabilizar a carga da dívida”. A entidade aposta que a Selic deverá cairá para 5,5%, neste ano, “estendendo o ciclo de baixa taxa até pelo menos o final de 2020”.

Na última quarta-feira (31/07), o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,50 ponto percentual, para 6% ao ano, o menor patamar da história e sinalizou que deverá realizar novos cortes. Analistas do mercado apostam que a taxa de juros básico poderá encerrar o ano em 5%.

Crédito público diminui

Um levantamento feito pela Ministério da Economia junto aos dados do Banco Central mostra que o volume de crédito público foi ultrapassado pelo setor privado pela primeira vez desde 2013, comprovando essa mudança do perfil desse mercado. Em junho, o volume de operações de crédito das instituições privadas somaram R$ 1,667 trilhão, enquanto o das públicas chegou a R$ 1,629 trilhão.

“O setor público vem reduzindo a sua participação no mercado de crédito, com a redução do volume de empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que foram alavancados entre 2013 e 2015”, destacou o secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues. Em 2013, o crédito privado ultrapassou o público, somando R$ 1,272 trilhão contra R$ 1,259 trilhão, mas acabou sendo suplantado nos meses seguintes como mostra o gráfico abaixo.  “Isso é uma excelente notícia para o país, porque estamos vivendo um deficit fiscal considerável e precisamos do setor privado fornecendo crédito. E estamos exatamente com essa possibilidade de reverter isso agora”, completou.

Vicente Nunes