Em dia de nervosismo, dólar dispara e atinge R$ 3,83

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GABRIEL PONTE

O dólar operou em forte alta nesta quarta-feira (06/03), após a divulgação de dados da economia dos Estados Unidos, que vieram acima das medianas projetadas pelo mercado financeiro, e das falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). Com isso, a moeda norte-americano encerrou a quarta-feira negociada a R$ 3,834 para venda, alta considerável de 1,48%, patamar não observado desde o início de janeiro. Economistas dos “Top 5” consultados pelo Boletim Focus, do Banco Central, já estimam que a moeda norte-americana deve encerrar 2019 negociada próxima dos R$ 4,00.

Na terça-feira (05/03), a divulgação dos dados acerca do Índice de Atividades de Serviço (ISM), além dos números relacionado à venda de moradias novas nos Estados Unidos, impulsionaram a alta do dólar, no mercado internacional. “Saíram dados dos EUA muito mais fortes do que as estimativas do mercado, mostrando uma economia robusta. Com isso, a moeda se fortaleceu frente às divisas de outras economias, principalmente as de países emergentes”, analisou Pablo Spyer, diretor de operações da Mirae Asset.

Nesta quarta, o presidente do Fed de Nova York, John Willians, afirmou que a incerteza em torno da política monetária a ser conduzida pela autoridade monetária no país, com a impossibilidade de prever eventuais novos aumentos de juros na economia estadunidense. Também nesta tarde, o Livro Bege do Fed, relatório contendo um detalhamento da economia doméstica, apontou para crescimento leve e moderado da economia doméstica, em meio ao avanço, também moderado, dos preços, embasando a decisão de manutenção dos juros locais entre 2,25% e 2,50% ao ano.

Previdência

Na visão de Spyer, na conjuntura doméstica, pesa, também, a perspectiva dos donos do dinheiro em torno da velocidade da tramitação da reforma da Previdência. “O que se pode colocar, nos negócios locais, que já não é de hoje, é que existe uma apreensão em relação à velocidade de aprovação das reformas, informação que realmente interessa aos olhos dos investidores”, disse.

Segundo o economista, o texto da nova Previdência, que foi enviado ao Congresso há exatamente duas semanas, está, ainda, no mesmo estágio inicial. “Os avanços para aprovação estão abaixo da expectativa. Falava-se, antes, no primeiro trimestre, depois, no segundo, mas já se cogita a possibilidade da aprovação, na melhor das hipóteses, no quarto trimestre”, completou.

Brasília, 17h18min

Vicente Nunes