Artigo: Há novidades no front leste

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Por LUIZ RECENA GRASSI, de Portugal

Pronto. Depois de forte e demorada pressão, a Alemanha cedeu: o governo socialista liberou a entrega dos carros de combate Leopard2 para a Polônia e outros países que queiram entrar no comércio de armas para a Ucrânia. Cede, mas ganha: volta a negociar armas na Europa, o que não ocorria desde o final da 2ª Guerra Mundial. Uns veem como perigo, outros, como questão natural. Foram liberadas compra e venda dos tanques e vários europeus querem participar do jogo, com armas que tiverem, e preços a combinar.

É a “Coligação Leopard”, que se vai montando, cada um com sua pobreza. Talvez dois tanques de Portugal. Ou menos, pois ninguém sabe a situação deles. A Espanha está ainda pior. Finlândia e Noruega têm mais capacidade para treinamento. França, que fabrica AMX, é forte. Sobra a Polônia, robusta. Aqui outro problema: o difícil relacionamento com a Alemanha. Desde o fim da 2ª Guerra Mundial não se entendem. Mas algum dinheiro tem que sair, esse não é local para bobos. Só para lobos. O tema não para. Ao contrário. Só começa.

Alemanha também forçou os americanos a mandar seus tanques Abrams para a Europa e apoiar a Ucrânia. De pronto, serão 31. Não há preços. Só que um novo desses custaria U$ 400 milhões a unidade. A verba foi votada antes, nas conversas com Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e europeus. Estados Unidos e alemães forçam a demissão de uma dezena de líderes de Zelensky. Corrupção é o motivo alegado.

No Kremlin, ira de Putin. Ganhou Soledar, mas viu a decisão alemã mais festejada. “Todos os tanques queimam”, disse o porta-voz a lembrar que quem entra na chuva quer se molhar. Ou: tanque na guerra é isso, pode ser abatido e queimado. Todos são pardos. A Rússia novamente poderosa, com fábricas de armas a trabalhar três turnos por dia, mantendo seus o estoques. Até o momento, nenhum dos candidatos ao comércio informa quando começam os tanques a chegar no front.

Os yanques dizem até o fim do ano. Dos demais, quem está mais perto na Europa, até a Primavera. Some-se a isso o tempo de preparação e treinamento dos que irão receber as novas armas. Para não perder tempo Zelensky pediu mais mísseis e aviões. Difícil. Ninguém quer aumentar o conflito. Todos quietos agora. Putin alicia opositores de Zelensky, acusando este de não querer a paz. A falada Mãe das Batalhas pode esperar o começo da Primavera.

O CORREIO SABE PORQUE VIU

Estava lá. Na Perestroika, Gorbatchov mandou burocratas da cultura fomentar diálogos e intercâmbios sobre arte com o Ocidente e entre as ex-repúblicas soviéticas. Ucranianos e russos tomaram dianteira e promoveram encontros onde se vendia pinturas. Eram saraus bem interessantes, com coisas novas ou velhas a ser mostradas aos estrangeiros e membros da Nomemklatura soviética.

Contavam histórias de um tempo que o diabo teria passado em Moscou e conversado com Mikhail Bulgakov, o de “Mestre e Margarida”. Bulgakov escreveu também, dizem que nessa época, “O Coração de Cachorro”. Um médico ligado ao partido consegue por um coração de gente num cão de estimaçao. Primeira ato da nova pessoa: entrar no partido, segundo, dividir com outros o apartamento do médico. Por aí vai.

Vimos a peça como deve ser, com leitura antecipada. Madame M. leu em francês, outros em espanhol ou inglês. Sucesso. Por ali dizem que andou o o camarada Popov, essa entidade criada pela CIA para provocar os soviéticos. Foi chamado para debater sobre História da Arte. Camarada Popov, o que é a arte clássica burguesa? É a que privilegia o conteúdo: ter uma mulher bonita sobre uma cama feia. E a arte moderna burguesa? É o contrário: um cama bonita e uma mulher sem graça. E o grande Realismo Socialista? É a síntese: bela moça, bela cama e uma reunião do Partido até clarear o dia…

Vicente Nunes