Motoristas gastarão R$ 18 bilhões com novas placas de carros

Publicado em Economia

ANTONIO TEMÓTEO

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou, na terça-feira, 6, resolução determinando que todos os veículos registrados no Brasil terão de trocar suas placas para seguir o padrão Mercosul. A mudança terá que ser realizada até 31 de dezembro de 2022. A reunião co Contran foi marcada por uma polêmica. O conselheiro Francisco de Assis Peres Soares, representante do Ministério do Meio Ambiente, pediu vistas do processo e teve a solicitação negada pelo presidente do colegiado, Maurício José Alves Pereira, que também chefia o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

 

Com a negativa, Soares se absteve de votar. Pela resolução, as placas devem conter identificação de estados e municípios, medida que contraria consulta realizada pelo próprio Denatran ao Ministério das Cidades. Em ofício encaminhado à assessoria de Relações Internacionais da pasta, o departamento questionou se era necessário que constassem na nova placa brasões de identificação regional.

 

Em resposta, o chefe da assessoria, Nicola Speranza, observou que, na resolução do Mercosul que definiu as características da placa, não está previsto o uso de brasões de estados e municípios. “Portanto, a eventual introdução de indicadores regionais e locais na Placa Mercosul por parte de qualquer um dos países contraria as decisões indicada na resolução”, informa em memorando ao Denatran.

 

Técnicos envolvidos no processo admitem que a medida tem cunho arrecadatório. Além de faturar entre R$ 11,4 bilhões e R$ 18,9 bilhões com a troca de placas — que devem custar entre R$ 120 e R$ 200 cada uma — o setor ainda teria uma demanda garantida com a transferências de veículos de um estado a outro. Nesse caso, uma nova placa teria de ser feita. Em 2017, foram realizadas 1,4 milhão de transferências, conforme dados do Denatran.

 

Chip e QR Code

 

A resolução ainda prevê a implantação de um chip e de uma película na placa. Entretanto, quem acompanha o tema diz que o sinal do dispositivo piora com o uso da película. Além disso, foi previsto o uso de um QR Code e de um lacre. Todavia, os parâmetros do código não foram definidos na norma aprovada.

 

Técnicos ouvidos reservadamente dizem que o prazo de quatro anos para a troca das placas não foi definido com base em estudo técnico. O atual sistema de três letras e quatro números possui vida útil de 10 anos. Com a placa Mercosul, serão usados três números e quatro letras. O equipamento terá uma tira holográfica do lado esquerdo e um código bidimensional contendo a identificação do fabricante, a data de fabricação e o número serial da placa. A tira é uma maneira de evitar falsificação.

 

A placa Mercosul foi criada em 2014. A resolução original definiu que carros, motos ou caminhões emplacados ou transferidos a partir de 2016 deveriam contar com a nova identificação. A norma definiu que um sistema de consultas seria criado e compartilhado entre os países membros do bloco para combater roubos de veículos, tráfico de pessoas e de drogas. Com o novo sistema, seria possível identificar o proprietário, o tipo, a marca, o modelo, o ano de fabricação e o número do chassi do veículo, além de se obter informações de roubos e furtos.

 

Em maio de 2016, uma norma do Contran definiu que todos os carros deveriam contar com a placa Mercosul até 31 de dezembro de 2020. Em setembro do mesmo ano, a implantação da norma foi adiada. Procurado, o Denatran não informou o preço médio das placas, quantos fabricantes estariam habilitados no Brasil e se o sistema de consultas de veículos estaria em desenvolvimento.

 

Brasília, 06h58min

26 thoughts on “Motoristas gastarão R$ 18 bilhões com novas placas de carros

  1. É uma palhaçada isso!

    Aqui no DF, se eu transferir um veículo HOJE e se ele não tiver a placa atualmente vigente (fora do padrão Mercosul, mas reflexiva e com QRCode) vou ter que obrigatoriamente fazer a placa nova – mesmo sabendo que essa mesma vai ter que ser trocada até 2022…

    Absurdo total!!

    1. Verdadeiro Absurdo.
      Os mais prejudicados são os fabricantes de placas , pois estão definindo varias regras sem consulta de viabilidade e muito menos agilidade no processo. Estão manipulando tudo , onde ja se viu uma placa de automóvel ter uma selo holografico da casa da moeda kkkkkkkk. Nariz de palhaço para O ReSpOnsável

      1. Mais prejudicados? Se eles são justamente os beneficiados dessa história, e, muito provavelmente, os responsáveis por baixo dos panos

        1. Os fabricantes não são beneficiados em nada pois apenas uma empresa no Brasil atende os requisitos e por coincidência o diretor dela foi fotografado recentemente com os gurus da casa da moeda.

          1. Pior ficou para os estampadores que além de serem regulamentados pelos Detrans de casa dado, terá se dispõe de um valor exorbitante para maquinários e torcer para as fabricantes primárias nos contrate para o serviço de estampagem, já que na resolução fala que seremos prestadores de serviços a eles… complicado

    1. O DENATRAN já elaborou uma minuta da Resolução com o modelo totalmente diferente das placas padronizadas e já implantadas em vários países que fazem parte do MERCOSUL, sendo que estes supostos itens de segurança que consta na minuta da Resolução DENATRAN fora orquestrada junto ao órgão por uma empresa de origem alemã( Utsch do Brasil ), que está envolvidas em irregularidades em vários estados.

      1. Espero amigo que todos tenha a coragem que você está tendo pois é a pura verdade. Só existe uma empresa no Brasil que tem condições de atender essas exigências nesse prazo e ela ditou tudo que estaria na placa para evitar que alguma outra consiga se preparar a tempo.
        A bola aí está correndo solta.

  2. Uma das razões das novas placas não terem sido adotadas até agora é que o banco de dados unificado do Mercosul seria gerenciado aqui do Brasil, e não havia dinheiro em 2016 p/ montar esse sistema (então não tinha porque o Brasil aderir logo). Quer dizer que agora nasceu dinheiro? Que não há outras prioridades como saúde e segurança?

  3. No Brasil, os serviços públicos, geralmente trabalham no improviso. Algum ‘deslumbrado’ lança uma ideia e os contribuintes pagam as contas dessas faltas de planejamento inteligente! Isso em todos os níveis dos governos e dos Poderes da República. Lamentável.

  4. Esse é o nosso Brasil, um país onde tudo que é feito é sempre para benefício de poucos. E mais uma vez não está sendo diferente. Será que realmente estão preocupados com a segurança? Penso que não. E como sempre nós é que pagaremos a conta.

  5. Mais uma manobra política para favorecer empresários que alimentam a corrupção desse mísero braziu, e o povo babaca aceita.

  6. 120 a 200 ????? kkkkkkkkkkkkkkkk aq em gov. valadares – MG já cobram 210,00 ha 3 anos numa placa q não vale 20 reais … essa daí q tem QR code e chip vão vender por uns 300 a 500 kkkkkkkkkkkkkkkk

    1. Vc só nao pode esquecer Sr. Marcos que é repassado para os DESPACHANTES com um preço e eles aumentam os valores para o adquirente… ganhando e muito sobre as placas na qual eles nao tem custo algum com elas… Os fabricantes tem gastos, mao de obra, maquinarios e demais despesas como qualquer prestador de serviço, então antes de falar que não custa nem 20$ procure se informar melhor…

      1. não, querida, eu sou despachante!! esse preço é passado pra nós!! a gente nao ganha um centavo nesssa merda e ainda temos q pagar à vista para esses safados e receber no cartão do cliente… e ter q gastar parafuso, arame e mão de obra pra colocar essas desgraças!!

  7. NÃO USAMOS NOSSOS DIREITOS: Se as placas são para se evitar Roubos, Sequestros, etc…. Então? Paguemos, mas em casos de Roubos, sequestros etc… que acionemos a justiça uma vez que rem a mais para ter essa garantia, caso não usemos nosso direito à segurança, sempre seremos tratados como GADO, indo para onde quisem!

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