POR ANTONIO TEMÓTEO
Uma das medidas estudadas pelo governo para tentar alavancar a economia é aumentar novamente o prazo para pagamento de empréstimos consignados. O líder do governo no Senado Federal, Romero Jucá (PMDB-RR), declarou recentemente que o Executivo elevará o prazo máximo das operações com desconto em folha para servidores federais das atuais 96 parcelas para até 130. Na avaliação do parlamentar, a medida alongará as dívidas, diminuirá o valor das prestações e reduzirá o endividamento, abrindo espaço para as famílias consumirem.
Essa é mais uma tentativa desesperada do governo para reaquecer a economia. A medida não reduzirá o nível de endividamento, e sim deixará os servidores com a renda comprometida por mais tempo. Atualmente, quase metade dos trabalhadores da administração pública federal está com o salário comprometido com o pagamento do consignado. Dados do Ministério do Planejamento mostram que, dos 1.021.372 servidos ativos e aposentados, 475 mil possuem operações com desconto em folha. Esse grupo corresponde a 46,5% do total.
Dados do Banco Central (BC) mostram que os servidores públicos da União, de estados e municípios já devem R$ 168,3 bilhões às instituições financeiras em operações consignadas. O crescimento explosivo dessa modalidade ocorreu durante as gestões de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que mantiveram o incentivo ao consumo mesmo após a deflagração da crise econômica.
Limites
Em setembro de 2015, o Congresso Nacional autorizou servidores, beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e trabalhadores do setor privado a comprometerem até 35% da remuneração com empréstimos com desconto em folha — antes eram 30%. O texto definiu que o limite adicional deve ser usado, exclusivamente, para o pagamento de despesas com cartão de crédito, de modo a reduzir o comprometimento com essa linha de financiamento mais cara.
Um ano antes, em setembro de 2014, o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) aprovou a elevação de 60 meses para 72 meses no prazo de pagamentos desses financiamentos. E o Planejamento liberou o aumento de 60 para 96 meses o período máximo para quitação dessas operações. Segundo o INSS, dos 33,79 milhões de beneficiários, 20,05 milhões têm operações com desconto em folha, 59% do total. Esse grupo devia R$ 102,3 bilhões aos bancos até janeiro de 2017, conforme dados do BC.
O número de segurados e de servidores federais que têm parcela da renda comprometida com empréstimos tende a ser bem maior, já que o INSS e o Planejamento não têm controle sobre outros financiamentos contratados. Elevar o prazo para o pagamento do consignado prejudicará ainda mais as famílias brasileiras que estão endividas e com dificuldades de manter as contas em dia.
Brasília, 06h30min


2 thoughts on “Desespero por boas notícias”
agradeço a renan calheiros e a romero juca a gratificante oportunidade de reorganizar minha vida,comer melhor,comprar meus remédios,…,pois esta oportunidade também vai otimizar um todo no país! lila soares
Tem previsão da aprovação do alogamento do empréstimo consignado pois isso seria muito bom