Só diversão? Série documental Segredos da Playboy mostra os bastidores da famosa mansão

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Nova produção original do A&E Segredos da Playboy desnuda o lado oculto do império criado pelo magnata da comunicação Hugh Hefner

Por Cecília Sóter

Estreia domingo (19/6), a partir das 22h, no canal A&E, a série documental Segredos da Playboy, que revela o lado mais sombrio do império criado há quase 70 anos pelo magnata da comunicação Hugh Hefner (1926-2017).

Sob uma perspectiva de gênero e ênfase no movimento #MeToo, a produção de 12 episódios mostra os bastidores do império da Playboy, à medida que investiga o universo complexo criado por Hefner. Além disso, o personagem é desconstruído e o foco, agora, é no sofrimento das mulheres que habitavam a Mansão Playboy, localizada em Los Angeles, Califórnia.

A série traz material inédito, incluindo imagens de arquivo e entrevistas exclusivas com especialistas de todas as facetas do mundo Playboy, muitos dos quais compartilham as histórias pela primeira vez, como a ex-playmate e diretora de Promoções, Miki Garcia; as ex-namoradas de Hefner, Holly Madison, Bridget Marquardt e Sondra Theodore; a autora de Playground: a childhood lost inside the Playboy mansion e moradora da Playboy Mansion, Jennifer Saginor; e membros do círculo íntimo de Hefner, incluindo a assistente executiva Lisa Loving Barrett, o mordomo Mitch Rosen e o mordomo pessoal de Hefner, Stefan Tetenbaum. Nos últimos capítulos, as gêmeas e ex-namoradas de Hefner Karissa e Kristina Shannon e Audrey Ann Huskey também dão depoimentos.

Até o surgimento da Playboy em 1953, nudez era uma categoria clandestina nas publicações e não era bem vista pela sociedade. A revista rompeu com esse paradigma e colocou o corpo nu da mulher como objeto de consumo na mídia. A série mostra como este portal de prazer para os homens, por meio de páginas impressas, levou a um mundo sombrio de predadores sexuais, envolvendo celebridades, bem como o tráfico e abuso de mulheres (muitas delas menores) que acabaram em mansões satélites que funcionavam como clubes particulares para realizar orgias. Essas “mansões escondidas” abrigavam as garotas que não chegavam às edições da Playboy.

Crédito: Divulgação A&E
Crédito: Divulgação A&E
Crédito: Divulgação A&E
Crédito: Divulgação A&E
Crédito: Divulgação A&E
Crédito: Divulgação A&E

“Tudo era como um culto”, diz Miki García, a ex-coelhinha que trabalhou para a Playboy como chefe de promoções entre 1973-1982. “As mulheres foram preparadas e levadas a acreditar que faziam parte desta família. E Hefner acreditava ser o dono daquelas mulheres. Algumas playmates tiveram overdose, outras cometeram suicídio”, revela Garcia ao explicar que pensou em escrever um livro para denunciar essas atrocidades. “Hefner mandou pessoas para me subornar. Quando você encontra alguém tão poderoso, você fica com medo, porque tudo pode acontecer.”

Em 1971, Hefner comprou a mansão e criou um verdadeiro oásis para adultos. “Ninguém te julgava naquele ambiente luxuoso e glamoroso, era como uma Disneylândia para adultos”, lembrou León Kennedy, um dos amigos de Hugh, dos tempos mais inocentes da irmandade Playboy. “Éramos invisíveis, ele só dava ordens, éramos seus servos”, recordou também Stefan Tetenbaum, um dos mordomos da casa, acrescentando que “havia cerca de 150 regras para administrar na mansão e uma das mais importantes era que não devíamos falar com as meninas”. Uma curiosidade: todos os lugares da mansão tinham microfones e câmeras.

A produção explora como o império de Hefner manipulava mulheres em um ambiente tóxico, silenciando suas vozes, colocando-as umas contra as outras e abrindo a porta para predadores sexuais. Segredos da Playboy rompe com a ilusão da caixa cristalina na qual o universo da mansão esteve imerso por décadas. Uma bolha de sabão da qual ninguém queria sair e poucos ousavam furar.

No episódio de estreia, O legado, Hugh Hefner se vendia como se fosse um defensor da liberdade de expressão, criada pela marca Playboy para desencadear uma revolução sexual que libertaria igualmente homens e mulheres. No entanto, ao longo dos anos, ele usou o seu poder para manipular mulheres e silenciar as suas denúncias.

Em seguida, às 22h45, em A garota ao lado, Hugh Hefner reinventou a si mesmo e a sua marca por meio do sucesso do reality show The girls next door, que retratava o que se vivia na mansão Playboy como se fosse um conto de fadas. Mas as suas protagonistas revelam a verdadeira realidade cheia de regras, trapaças e brigas.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

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