Série da HBO Max mostra ponto de vista da misoginia em massacre de Realengo

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Estreia da HBO Max, Massacre na escola — A tragédia das meninas de Realengo apresenta uma nova perspectiva sobre um dos mais hediondos crimes da história do país

Por Pedro Ibarra

Em 2011, um homem entrou em uma escola com duas armas escondidas e promoveu o primeiro massacre em uma instituição de ensino no Brasil. Ao todo foram 30 tiros disparados, 24 acertaram pessoas, 12 foram fatais, 10 das vítimas eram mulheres. Partindo dessa premissa, o seriado Massacre na escola — A tragédia das meninas de Realengo destrincha, em quatro episódios, a partir deste domingo, um dos crimes mais hediondos da década de 2010 de uma perspectiva até então distinta: a de que foi um feminicídio em massa. A estreia é da plataforma HBO Max.

O massacre chocou o Brasil e teve uma cobertura ostensiva da mídia. Contudo, a intenção foi explicar a motivação do crime e entender o que parecia incompreensível: por que um homem adulto teria interesse de matar alunos da escola em que estudou? “Quando a gente se deparou com as matérias da época, nós vimos uma exploração gigante do perfil do assassino. De onde ele vinha, para onde estava indo e por que ele teria feito isso ou aquilo”, lembra Bianca Lenti, diretora da produção. “Porém, as vozes das vítimas que sobreviveram e dos parentes das vítimas assassinadas eram pouco ou quase nada, elas foram muito silenciadas, de forma circunstancial e não proposital”, complementa.

Por essa razão, a produção optou por não mostrar nem o rosto nem o nome do assassino. “Para que o efeito não fosse mais nocivo do que no passado”, explica Bianca. “Essa postura foi uma premissa inicial que a Bianca trouxe e a gente abraçou, mas se mostrou muito adiantada”, acrescenta Patrício Diaz, gerente sênior de conteúdo de não ficção da Warner Bros. Discovery Brasil. “É um passo à frente evitar dar o reconhecimento que essas pessoas buscam nestes fóruns, mas essa é uma exceção editorial consciente ainda. É um acerto, e ainda bem que começou agora. São pequenas mudanças que vamos conquistando”, finaliza o profissional

A ideia nunca foi chocar, mas, sim, promover um diálogo para um país melhor. “A nossa abordagem foi delicada, respeitosa e urgente. A gente está partindo do massacre mais letal até hoje em uma escola brasileira, mas é o pontapé inicial para um debate que essa série estabelece, sobre as razões e motivações por trás desse fenômeno social que depois vimos se repetir várias vezes”, pontua Lenti.

“Nunca quisemos explorar a dor, a violência e o ódio que esse crime foi capaz de gerar. Nós sempre soubemos que seria uma reflexão sobre o que queremos mudar e contribuir para que essas coisas sejam evitadas, não voltem a acontecer”, adiciona. “A gente faz audiovisual de impacto porque acreditamos no poder da transformação. Uma série como essa estar na HBO Max tem o poder de atingir milhões de pessoas pelo mundo e chamar muitas para o debate”, completa.

Infelizmente, recorrente

Não foram apenas os massacres em escolas que permaneceram se repetindo no Brasil, os feminicídios também têm sido cada vez mais comuns. Apenas em Brasília, 20 casos foram registrados de janeiro a junho de 2023. “Quando a gente entendeu que o que tratamos na série era um crime de gênero, por conta das evidências deixadas pelo atirador, foi muito impactante. Estando dentro dessa história, a gente percebeu que esse discurso machista e misógino só piorou de 2011 para cá”, recorda Bianca.

“As mulheres estão mais em perigo, morreram mais na pandemia e este dado de Brasília é chocante. Os discursos de ódio estão sendo cada vez mais disseminados na internet, nos fóruns. Está muito entranhado no nosso corpo social que se a gente não falar sobre, não vai mudar”, continua. “De certa forma, fazer essa série, como mulher e mãe de duas meninas, é contribuir para que esse discurso de ódio pare. A gente precisa falar sobre isso, os meninos são vítimas de uma masculinidade tóxica que mata, e as meninas são vítimas do discurso misógino que também mata”, conclui.

Pedro Ibarra

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