Reboot de Charmed tem poucas chances de funcionar nos dias de hoje

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A nova versão de Charmed bebe da fonte da série original. Porém, a produção peca pelo ar trash dos efeitos visuais e da atmosfera totalmente infantilizada da narrativa

De 1998 a 2006, a televisão exibiu as aventuras de três irmãs bruxas contra o mal na série Charmed. As Encantadas, como ficaram conhecidas as jovens do clã Halliwell, têm seus poderes liberados após a morte da avó Penny e a descoberta de um livro de magia na mansão da matriarca em São Francisco. A partir daí, com a força da união do poder das três, elas conseguem combater diferentes criadores sobrenaturais.

Foram oito temporadas no ar, algumas mudanças de elenco — entre elas a saída da protagonista Shannen Doherty, que deixou a trama após conflitos com a equipe dando lugar a Rose McGowan — e um período até duradouro da produção. Talvez, pensando nisso e no momento de nostalgia, a CW resolveu fazer um reboot da trama das bruxinhas. A nova versão de Charmed foi lançada em outubro do ano passado e está disponível na plataforma Globoplay.

Crédito: Reprodução/Internet. As atrizes que viveram as bruxas da série original

O problema é que reviver Charmed não é uma tarefa muito fácil. A começar pelo fato que a série original, apesar de ter conquistado muitos fãs (me incluo nessa lista de guilty pleasure), está longe de ser um primor. Ela fez história na televisão, principalmente por uma questão de fase. Era o momento em que a fantasia e o sobrenatural faziam sucesso, basta ver os outros hits da época: Buffy, a caça vampiros (1997) e Arquivo X (1993).

Mas Charmed era uma trama extremamente datada, com efeitos pra lá de trashs (que na época nem era tão ruins assim) e que se aproveitava do carisma do trio de protagonistas — inicialmente, Prue (Shanne Doherty), Piper (Holly Marie Combs) e Phoebe (Alyssa Milano), depois com Paige (Rose McGowan) substituindo Prue — para fazer sucesso.

Crítica do reboot de Charmed

Com todos esses fatores, fazer um reboot de Charmed era extremamente arriscado. Mas a CW resolveu apostar e trouxe a história das três irmãs em novo formato. Na nova versão, o poder das três é invocado quando Mel (Melonie Diaz) e Maggie (Sarah Jeffery) descobrem que tem uma meia-irmã Macy Vaughn (Madeleine Mantock), que acabou de se mudar para a cidade delas, Hilltown, coincidentemente (ou não) logo após a morte da mãe delas, Marisol (Valerie Cruz) causada por uma força demoníaca desconhecida.

O trio então descobre seus poderes, que são bem semelhantes aos das Encantadas da primeira versão. Macy tem telecinesia (como Prue), Mel pode congelar o tempo (assim como Piper) e Maggie consegue ouvir os pensamentos dos outros (o único que não é exatamente igual, mas poderia se assemelhar ao de Phoebe de premonições ou ainda de empatia, em que ela sentia o sentimento dos outros). A partir daí elas começam uma caçada contra o demônio que matou a mãe delas e também para proteger os humanos das forças sobrenaturais que invadem Hilltown.

Crédito: Reprodução/Internet

A premissa em si não é ruim, porém, o reboot não funciona. O trio de protagonistas é bastante fraco com atuações bem irrelevantes. Em vários momentos, a narrativa parece forçada, como a chegada de Macy a Hilltown numa situação (bem) oportuna, sem falar nos efeitos visuais que são de baixa qualidade, o que torna difícil comprar a ideia dos demônios nada assustadores da série.

Mas é claro que Charmed não tem apenas defeitos. A série acerta em apostar na diversidade, tanto racial quanto de gênero logo na figura das protagonistas: Macy é negra e Maggie é lésbica. E tudo isso de forma bem natural. Porém, isso não é o bastante para salvar a série, que bebeu demais da fonte da original, ficando datada e um tanto quanto trash para os dias de hoje.

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