Crédito: Reprodução/AppleTV+ — Physical
Há um tempinho, os perfis de fitness e saúde do Instagram tinham um antecessor bem menos prático (mas ainda muito popular): as fitas K7 de atividade física. Sucesso nas décadas de 1980 e 1990, as norte-americanas de collant rapidamente ganharam o mundo, e com ele uma boa dose de riqueza.
É exatamente esse o ponto de partida de Physical: contar como a dona de casa Sheila Rubin (Rose Byrne) saiu do pacato litoral da Califórnia para ganhar o mundo com muito exercício aeróbico na TV. A produção chegou à plataforma de streaming no último 18 de junho e tem 10 episódios para a primeira temporada.
A série começa bem antes do sucesso de Sheila, ainda na década de 1980 (mas o público já sabe que ela prosperará desde o piloto, graças a flashforwards), quando a mulher vivia para a filha e para o marido. Além da carreira de Sheila, vale pontuar que Physical também foca em um ponto curioso: o ódio que a ela tem por si própria.
Em uma espécie de confuso humor sombrio, a personagem se torna até assustadora ao narrar uma pesada dismorfia corporal. Um dos “passatempos” favoritos de Sheila é comer fast-food dentro de um quarto de motel e depois vomitar enquanto se xinga mentalmente. Todo esse ódio, contudo, não chega a ser muito engraçado. E após o 20º insulto da mulher a si própria, a série acaba perdendo um pouco de empolgação.
Para piorar, Sheila tem como marido um verdadeiro encosto: Danny (Rory Scovel). Desempregado, o homem tenta se aventurar na política, enquanto arrasta a família que não tem muita motivação para a empreitada.
O que mantém Sheila em frente são as aulas de aeróbica em um recém-inaugurado shopping. A dona de casa e a professora Bunny (Della Saba) não se gostam muito, mas têm na atividade um ponto em comum. É através do namorado de Bunny que Sheila eventualmente encontrará o mundo das filmagens em fita K7.
Na prática, Physical sofre para empolgar (e quebra a tradição da Apple TV+ em bons lançamentos neste ano). A série anda devagar, o ciclo de masoquismo da protagonista cansa. Mas isso não significa que ela é de todo ruim.
O grande trunfo de Physical é a amarração técnica. É uma verdadeira pena o roteiro tropeçar tanto, tendo em vista que todo o resto vai muito bem, a começar pela brilhante atuação de Rose Byrne, que consegue entregar uma mulher à beira da loucura vivendo um mundo de sorrisos e “hard work”. Rose se entrega completamente a Sheila, e deve figurar em categorias de ponta na próxima temporada de premiações — spoilers à parte, a cena do bolo é surreal.
A direção de Craig Gillespie do piloto (Let’s do this thing) também é outra obra prima. Bebendo no melhor estilo I, Tonya, as cenas conseguem entregar uma atmosfera bem 1980, mas ainda não “ultrapassada”. É complexo, mas resumindo: a direção deixa claro que a produção é de época, mas uma época que não só é entregue pelas roupas e carros antigos, mas especialmente pelos closes sufocantes e zoom ins e zoom outs viscerais.
Em síntese, Physical teria como boa classificação o posto de “regular”. A história não corre em dinamismo, mas mesmo assim entrega um bom trabalho técnico.
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