Mais adulta, iCarly ainda preserva essência

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O revival de iCarly ainda apresenta aos fãs da série um gostinho da infância com temáticas adultas. Atração está disponível no Paramount+

Em meados de 2012, os fãs de séries davam adeus a (até então) última temporada de iCarly. Popular produção da Nickelodeon, o enredo teen e bem ligado nas redes sociais cativou uma legião de fãs, que agora tem a chance de reencontrar os irmãos Shays e amigos.

iCarly voltou pelo streaming da Paramount+ e está disponível no Brasil desde o último 31 de julho. A produção já garantiu a segunda temporada antes mesmo de terminar a apresentação da primeira. Importante lembrar que, nesta nova fase, iCarly saiu das mãos de Dan Schneider (que enfrenta denúncias de supostos abusos em produções infantis) e agora tem como showrunner a dupla Jay Kogen e Ali Schouten.

Não tão nova, mas ainda adulta

Mesmo quase 10 anos depois, Carly (Miranda Cosgrove), Freddie (Nathan Kress) e Spencer (Jerry Trainor) não mudaram tanto assim. O revival começa quando a protagonista precisa superar um relacionamento (ou a vontade de mostrar esse relacionamento nas redes sociais). Como sempre, o irmão mais velho está lá para ajudar, assim como o melhor amigo — que passou por um divorcio e… voltou a morar com a mãe (e a enteada).

Vale lembrar que Sam (Jennette McCurdy) não faz parte do revival. A “brigona” é citada na série, que explica a ausência graças a viagens com grupos de motociclistas ao longo dos Estados Unidos. Porém, se alguns personagens não voltaram, outros estrearam. É o caso de Harper Raines (Laci Mosley), a nova colega de quarto e melhor amiga de Carly, e de Millicent Benson (Jaidyn Triplett), a enteada de Freddie.

Em aspectos gerais, o elenco é bem amarrado, assim como as histórias (que funcionam mais em procedurals, ou seja, os “caso da semana”, que em tempos de streaming foram atualizados para os “casos do episódio”). iCarly tem um trunfo na manga que é bem usado neste revival: a franqueza com as redes sociais. Frequentemente esse mundo virtual — tão importante e presente nas vidas dos espectadores — é simplesmente ignorado, ou mal usado nas séries, algo que iCarly desconstrói facilmente, desde a origem.

O que é mais recente, contudo, é a pegada mais adulta do revival. Não me entendam mal, iCarly não voltou com xingamentos (tem apenas um, mas funciona como piada) ou cenas de nudez. A série ainda tem aquela aura mais infanto-juvenil. iCarly ficou mais adulta no sentido de abordar temas como solidão, busca pelo amor, fracasso, medo e rejeição em contrapartida a assuntos mais comuns a produções do gênero, como amizade, superação e sonhos.

Em síntese, a volta de iCarly significa, sim, relembrar a essência da produção da Nick, com piadinhas de redes sociais, e o Spencer sempre se dando mal. Mas o revival ainda consegue destacar novidades, como o fato de que ser adulto nem sempre é tão perfeito (ou fácil) como indicam outras sitcoms.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

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