Irandhir Santos e fotografia linda mantêm público da estreia de Pantanal acordado

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Pantanal estreia com ritmo lento demais para a velocidade dos dias de hoje. Tomadas criativas da natureza e performance de Irandhir Santos foram destaque

Verdade seja dita: a direção de Pantanal prometia desde sempre desacelerar a novela das 21h, especialmente depois das frenéticas Amor de mãe e (pelo menos no início) Um lugar ao sol. E foi o que vimos na estreia desta segunda-feira (28/3). “A natureza fala mais alto do que o homem”, alerta José Leôncio, vivido por um correto Renato Góes.

Pantanal chega com longas e muitas cenas de natureza. Algumas realmente muito belas e com ângulos fora do lugar comum. O canto do tuiuiú a que o Brasil foi apresentado há mais de 30 anos na Manchete estava lá, embalando, inclusive, a primeira cena do remake assinado por Bruno Luperi, neto de Benedito Ruy Barbosa. Não deixa de ser um risco apostar nessas cenas abrindo todos os quadros em tempos em que o público está mais acostumado a outra velocidade e não se furtará a trocar de canal ou a fugir para as redes sociais. Resta saber se a segunda fase, que não terá a direção de Rogério Gomes, mudará de tom.

Pantanal vai ter que investir pesado nas tramas para manter o público ligado em meio a tudo isso. Se depender de Irandhir Santos, meio caminho está andando. O ator foi gigante na estreia como Joventino, pai de José Leôncio. Foram vários os momentos de brilho, especialmente quando ele tenta dominar um boi com o olhar e ainda briga com o filho quando ele laça o animal. Na segunda fase, o ator volta à cena como José Lucas de Nada, filho de José Leôncio, que já estará entregue a Marcos Palmeira.

Juliana Paes e Túlio Starling em cena de Pantanal

A estreia ainda trouxe o conflito pela terra que termina na derrocada dos Marruá, com Juliana Paes como Maria e Enrique Diaz no tom certo (como de costume) de Gil. Foi interessante ver Túlio Starling, ator que começou nos palcos de Brasília, numa participação especial como Chico, um dos Marruá dispostos a morrer pela terra.

Com uma abertura poderosa, ao som de Maria Bethânia, e uma bela homenagem à novela original com Paulo Gorgulho passando o bastão para Irandhir, a estreia de Pantanal agradou, mas cansou um bocadinho. Mas anotem: tem a cara do circuito de premiação internacional.

Vinícius Nader

Boas histórias são a paixão de qualquer jornalista. As bem desenvolvidas conquistam, seja em novelas, seja na vida real. Os programas de auditório também são um fraco. Tem uma queda por Malhação, adorou Por amor e sabe quem matou Odete Roitman.

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