Por que todo mundo está falando de Hannah Gadsby e o stand-up Nanette?

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Nanette, stand-up da comediante australiana Hannah Gadsby, estreou na Netflix em junho e desde então se tornou motivo de comentário nas redes sociais. E tem motivo: é uma lição de vida!

Provavelmente, nos últimos dias, em algum momento a sua timeline nas redes sociais foi invadida pelos nomes Hannah Gadsby e Nanette — pelo menos, a minha foi. E, para mim, nenhum deles queria dizer alguma coisa. Fiquei ainda mais curiosa porque a imagem da atriz me era familiar — sim, após jogar o nome de Hannha Gadsby no Google me dei conta de que ela fez parte elenco da comédia Please like me, que já falamos aqui no blog, relembre. Então, entrei no meu aplicativo da Netflix e lá fui assistir Nanette, que, claro estava no topo do serviço assim que entrei. E, logo que comecei a assistir ao stand-up, entendi o motivo do alarde em torno do espetáculo.

Primeiramente é preciso dizer que Nanette não é um stand-up padrão. Apesar de Hannah estar sozinha em cima de um palco fazendo piadas, isso não dura o espetáculo inteiro. Pelo contrário, Hannah resolve contar a sua história real de uma vida abusiva e complicada por conta das dificuldades encontradas para se aceitar lésbica e o riso dá espaço para aquele nó na garganta.

Hannah é natural de uma pequena cidade da Ilha da Tasmânia, na Austrália, onde até 1997 ser homossexual era, além de pecado, crime. Ao longo de sua vida, sofreu abuso sexual e uma série de preconceitos, alguns vindos dela mesma, que durante anos usou a autodepreciação como forma de fazer comédia. Até hoje, aos 40 anos, não teve coragem de se assumir para avó.

Nanette, de Hannah Gadsby

Crédito: Netflix/Divulgação

Ao contar a própria história no palco, Hannah estabelece uma conexão e debate assuntos atuais e importantes, como sexualidade, gênero, misoginia, machismo, preconceito, saúde mental e assédio sexual. Ela expõe todos esses temas de forma forte e incisiva e cria uma tensão proposital ao espectador, principalmente, aquele que ela denomina como “hétero branco padrão”, que, no espetáculo, acaba se tornando alvo de suas piadas.

E, mais do que isso, Hannah coloca em cheque o humor como se conhece hoje. Logo no início ela fala que usava a autodepreciação em seus espetáculos para fazer piada, mas que entendeu que isso, em vez de ajudá-la, a feria mais ainda: “Tenho questionado essa coisa de comédia. Não me sinto mais confortável fazendo isso. Construí uma carreira no humor autodepreciativo. E não quero mais fazer. […] Porque, vocês entendem que autodepreciação significa quando vem de alguém que está à margem? Não é humildade. É humilhação”.

Ao abordar todos esses temas, Hannah se conecta com o espectador e, muito mais do que fazer rir, dá uma lição de empatia, regada a frases sensacionais, que ficam na cabeça do espectador por muito tempo após o final. Como essa, que define muito bem Nanette: “Rir não é o remédio. O que cura são as histórias. O riso é só o mel que adoça o remédio amargo”. E Hannah só queria que ouvissem a dela.

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