Cena de Gangs of London Foto: Lionsgate+/Divulgação
Por Pedro Ibarra
Uma das séries esteticamente mais diferentes e refinadas dos últimos anos, Gangs of London volta após uma longa espera. Sucesso da Lionsgate+ , na época Starzplay, a série retorna para a segunda temporada tendo passado por dois saltos temporais, um na ficção, em que toda a organização das gangues mudou, e outro na vida real, por conta da pandemia. Finalmente, o seriado estreia na Lionsgate este domingo.
A série acompanha as consequências da morte do gângster Sean Wallace no mapa das gangues de Londres. O jogo de poder mudou e o protagonista Elliot (Sope Dìrísù), um ex-policial disfarçado, se vê ainda menor diante do contexto criminoso da cidade. As gangues estão em guerra e o domínio do tráfico e da distribuição de drogas em Londres pode mudar de mãos.
Segundo o diretor, Corin Hardy, e o produtor executivo, Thomas Benski, a temporada promete ser ainda mais tensa, imersiva e perigosa. “Características como tensão, perigo e imprevisibilidade fazem a série. Desde a primeira temporada, a mistura disso com as emoções dos personagens vira uma combinação que te suga para dentro da história”, pontua Benski. “Essa é uma série para imergir totalmente as pessoas, para que possam sair completamente das dores do mundo real”, complementa Hardy.
O que auxilia a criação deste mundo é a característica cinematográfica da série. “Quando a primeira temporada foi criada, havia essa vontade de fazer cinema em um seriado. Todos viemos dos longa-metragens e, pelo menos para mim, era meio assustador fazer uma série de televisão, com todas as limitações que podia haver”, lembra Corin, que dirige episódios desde o primeiro ano. “Nós queremos elevar a realidade, então é imersivo por junção de fazer algo autêntico, icônico, cinematográfico e, ainda assim, com um ar perigoso”, completa.
O elenco e a equipe tentaram realmente fazer algo novo. “Nós nunca imaginamos Gangs of London como uma série tradicional que nós só iríamos continuando. Cada temporada é uma chance para os criadores, os diretores e o grupo realmente sentirem que podem colocar uma assinatura para a próxima história”, conta Thomas. “Nós temos o desejo de forçar para que vá além, do que apenas fazer mais do mesmo, se manter na fórmula”, acrescenta. “Para mim, a melhor parte da televisão é que temos a chance de progredir. Nós podemos ousar, tomar riscos”, conclui
Por mais que levem a narrativa às últimas consequências, os responsáveis confirmam que o cerne permanece o mesmo. “A história continua sendo um drama familiar sério posicionado dentro de um mundo do crime, que escala como um passeio em uma montanha-russa”, aponta Corin. “O legal da série é que não dá para prever o quão longe ela consegue ir nas escolhas, não dá para saber no que aquilo vai dar”, adiciona.
Um dos principais trunfos de Gangs of London é representar culturas, etnias e gêneros diferentes nas telas. Cada um com características próprias e, principalmente, em posições de poder e protagonismo. Não é um espaço aberto apenas para atores e personagens brancos. “Tentamos ser fiéis à diáspora que estamos vendo no mundo inteiro, em que os imigrantes são parte crucial do tecido social. A inclusão e a diversidade são chaves da sociedade moderna”, afirma o produtor executivo.
Nascido no Brasil, mas criado fora, Thomas Benski deseja que pessoas menos representadas se vejam na tela. “Eu tenho esperança que o público perceba, que o que tentamos fazer foi colocar na tela pessoas que não são tão representadas. Nossos protagonistas, nossos heróis são pessoas que não são sempre vistas nesses lugares, a nossa série traz aquele sentimento de identificação”, propõe.
Britânico, filho de pais nigerianos e responsável pelo personagem principal, Sope Dìrísù concorda com a visão de Benski. “Nós estamos tratando de ficção, nós não estamos lidando com as gangues reais de Londres, estamos contando uma história inventada. Mesmo que fosse de verdade, Londres é uma cidade tão cosmopolita, há provavelmente mais etnias, nacionalidades em línguas em Londres do que no resto da Europa”, diz o ator, que clama por mais diversidade nas séries. “Vamos incluir todos para mostrar a riqueza desta cidade. Excluir as pessoas é mentira e extremamente entediante. Por que voltar no tempo, quando estamos olhando para o futuro?”, questiona.
O ator ainda indica que todos aproveitem produções com tanta representatividade quanto a estreia da semana. “Eu acredito que se você tem a oportunidade de assistir a algo que ensina sobre outras culturas e que convida a ler legendas com personagens falando em línguas diferentes, não há motivo para você escolher não aproveitar”, fala sem esconder o orgulho. “Eu estou muito contente de ver a representatividade como parte do sucesso das séries, porque deveria sempre ter sido. É excelente fazer parte disso.”
A segunda temporada de Gangs of London começou a ser gravada logo após o fim da primeira. No entanto, tudo foi parado, e os envolvidos na produção tiveram que trabalhar isolados enquanto viam o primeiro ano da série ser um sucesso. “Pessoalmente, foi um ano de sucesso, mas por conta de toda situação global, era difícil comemorar esse sucesso devido à covid, ao que aconteceu com o George Floyd e Breonna. Todos concordamos que foi muito difícil”, lembra Sope Dìrísù, responsável pelo personagem principal.
O ator e todos os envolvidos sentem alívio de estar de volta. “Poder filmar a segunda temporada de Gangs of London foi uma verdadeira alegria, porque foi como atravessar uma ponte que representava o fim da dor. Celebrar o sucesso da série, se juntar de novo para consolidar isso ainda mais”, pontua Dìrísù. “Foi uma jornada fazer a segunda temporada, porque nós começamos embalados na primeira e logo a pandemia começou, então foi um ano inteiro trabalhando de forma isolada para fazer essa nova temporada acontecer. É um alívio ver essa série pronta e sendo finalmente encaminhada e indo para as telas”, comenta Corin.
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