Eu, tu e ela: o poliamor desembarca na Netflix

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Uma das novidades da Netflix no mês de fevereiro foi a série Eu, tu e ela.  Mas e aí, vale ver essa produção, em vez das muitas outras disponíveis no serviço de streaming? A gente conta pra você.

Eu, tu e ela é o típico caso de uma série que não foi bem vendida para o público. Ela entrou discretamente no catálogo da Netflix, e facilmente passou despercebida por muita gente. Os motivos são vários. Primeiro, o  tema não é novo: casos extraconjugais. A sinopse também não ajuda: “Para apimentar a relação, o casal Jack e Emma contrata uma acompanhante. Tudo vai muito bem até o dia em que um deles se apaixona por ela.”

A questão é: não é nada disso. Primeiro, o tema não são casos extraconjugais. Segundo, que sinopse nada a veeeeer! Vamos lá: Eu, tu e ela retrata um relacionamento poliamoroso. São três pessoas que se envolvem emocionalmente e sexualmente entre si, e todos os problemas que eles enfrentam durante esse tempo.

Mas não se preocupem. Ela não tenta vender a ideia de que o poliamor é a melhor coisa do mundo, e todo mundo deveria estar fazendo isso. [ironia] A ordem do mundo não será alterada, ainda bem! [/ironia]

Pessoas reais

O seriado começa apresentando um casal sem graça, com uma vida sexual quase nula, passando por uma crise no casamento. Ainda nos primeiros minutos o espectador já sente um certo desprezo pela arquiteta e pelo conselheiro estudantil suburbanos que estão tentando engravidar. Mas não se engane. Isso faz parte do charme da série.

São apenas pessoas. Eles não são “moderninhos” (seja lá o que for que este termo signifique). São pessoas extremamente comuns, que se apaixonam por uma universitária. Ela entra na vida deles de uma forma inusitada, e de uma forma ainda mais inusitada, permanece.

Ao longo dos 10 episódios de trinta minutos (essa série é perfeita para maratonar, fala sério), você se depara com pessoas como eu, vocês, seus pais, seus amigos. Eles estão se dedicando para crescer profissionalmente, mesmo em alguns casos estando completamente insatisfeitos com o trabalho. Eles se apaixonam, sentem raiva, riem, sentem vergonha, tentam racionalizar sentimentos, e no final acabam cedendo aos seus desejos, simplesmente porque perceberem que isso os deixa felizes. E como não torcer por eles? Um casal que sente ciúmes mas confia, que conversam abertamente sobre os problemas, dilemas, trocam confidências. Ai, são fofos, essa é a palavra certa.

Tabu

Em tempos em que até a palavra tabu é um tabu, a série tenta questionar a forma como a sociedade encara relacionamentos poliamorosos. Em alguns momentos isso é feito de forma ingênua, como na presença da vizinha Lori e sua filha Ava, em outros de forma mais realista, como o irmão de Jack, Gabe. Ele também é um homem casado, que se relaciona com acompanhantes, e vai levando a história toda do relacionamento a três na boa, desde que haja dinheiro envolvido. Quando ele percebe que não se trata apenas de uma “transação comercial”, termos como “depravado sexual” começam a ser usados para se referir ao irmão mais novo. Como a própria Emma coloca muito bem em um momento: “O bom e velho sexo americano remunerado”. Ah… a hipocrisia.

O “ela” de Eu, tu e ela

Izzy, a universitária que entra na vida do casal, interpretada pela atriz Priscilla Faia, merece todo o destaque. A personagem é leve, divertida, e ao mesmo tempo densa. A identificação é quase instantânea. Ela tem problemas familiares, problemas financeiros, se vira como pode, gosta de rir, se apaixona por quem não queria, acaba tratando mal quem ela queria manter por perto… Outra pessoa muito real, com defeitos e qualidades. Ela encanta não apenas o casal, mas os espectadores também.

Clichê romântico

Ah, mas vamos ser sinceros, no fundo, o programa é um grande clichê romântico. E isso não é ruim! Até a própria série faz piadas com isso, de forma bem direta. Eles brincam com o formato, e o resultado é muito legal. Vale a pena conferir!

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