Escrita por Janete Clair em 1975, Pecado capital entra para o catálogo do Globoplay

Compartilhe

Estrelada por Betty Faria e Francisco Cuoco, Pecado capital marcou época na televisão brasileira e é considerada uma das melhores novelas de Janete Clair

O ano era 1975 e a primeira versão da novela Roque Santeiro foi proibida pela censura federal na noite de estreia. Para “tapar o buraco” dessa novela que viria a ser uma das melhores da história anos mais tarde, a Globo lançou mão de uma versão compacta de Selva de pedra. A solução definitiva veio meses depois pelas mãos de uma verdadeira maga das novelas: Janete Clair, nossa maior novelista.

Em poucos dias, Janete Clair apresentou à emissora e à censura a sinopse da história de amor entre um taxista e uma operária. Assim nasciam Carlão (Francisco Cuoco), Lucinha (Betty Faria) e o estrondoso sucesso Pecado capital, considerada por muitos a melhor novela escrita por Janete Clair. A primeira novela das 20h gravada em cores chega segunda-feira (31/1) ao catálogo do Globoplay, fazendo com que a nova geração possa conhecer a obra dessa grande novelista e que quem a conhece possa matar as saudades.

Pecado capital é muito mais do que apenas uma história de amor. O texto é sobre ambição e sobre valores. O ponto inicial é quando Carlão encontra uma mala de dinheiro proveniente de um roubo esquecida dentro do táxi dele. Não demora muito para que Carlão resolva ficar com o dinheiro até porque o pai dele, Raimundo (Gilberto Martinho), precisa de um caro tratamento médico. Isso acaba funcionando como o “sinal verde” de que ele precisava para gastar a fortuna com outras coisas, como uma frota de táxis que pode dar vazão à ambição do nosso anti-herói.

Esse novo Carlão acaba assustando Lucinha, que termina o noivado com ele, abrindo espaço para Eunice (Rosamaria Murtinho), mulher envolvida no assalto de onde vem o dinheiro. Livre do machismo do ex-noivo, Lucinha investe no próprio sonho de ser uma modelo e acaba virando uma top model.

O sonho de Lucinha vira realidade graças ao empresário Salviano Lisboa (Lima Duarte), que, encantado com a moça, a convida para estrelar a campanha da própria rede de confecções. Não demora muito para o viúvo se apaixonar por ela, para desaprovação dos seis filhos dele que, devido à diferença de idade entre eles, duvidam do amor da moça.

O reencontro de Carlão e Lucinha e o desfecho dessa trama sobre valores e honestidade pararam o país e marcaram as carreiras de Betty Faria e Francisco Cuoco, lembrados até hoje pelos papéis. Assim como está na memória de muita gente, a cena final ao som de Pecado capital, música composta por Paulinho da Viola especialmente para a novela. Além deles, Milton Gonçalves, Débora Duarte e Mário Lago se destacaram.

Vinícius Nader

Boas histórias são a paixão de qualquer jornalista. As bem desenvolvidas conquistam, seja em novelas, seja na vida real. Os programas de auditório também são um fraco. Tem uma queda por Malhação, adorou Por amor e sabe quem matou Odete Roitman.

Posts recentes

‘Beauty in Black’ e o prazer de uma boa vilã

Desde que a segunda temporada de Beauty in Black chegou à Netflix — há pouco mais…

2 dias atrás

Conheça a história central de “Quem ama cuida”, a próxima das nove

Com Letícia Colin vivendo mocinha justiceira, a novela das 21h da TV Globo tem assinatura…

7 dias atrás

Análise: Mais que a originalidade, ‘Três Graças’ vence coroando a autenticidade

A novela original superou o aguardado remake de Vale tudo, lamentavelmente desconfigurado por Manuela Dias  Patrick…

2 semanas atrás

A onipresença de Belo na telinha

O ano de 2025 foi do cantor, que se lançou como jurado de reality, ator…

2 semanas atrás

Análise: Prisão de Gerluce escancara a saudade que o público estava do novelão

É nesse ponto que Três Graças se afirma como um novo marco da teledramaturgia. A…

3 semanas atrás

Em tom pop, ‘Por dentro da machosfera’ revela as engrenagens do movimento red pill

Recém-chegado à Netflix, Louis Theroux: por dentro da machosfera é o novo documentário do jornalista…

3 semanas atrás