‘Encantado’s’, do Globoplay, traz pluralidade e muita diversão

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As roteiristas Thais Pontes e Renata Andrade falam sobre o sucesso de Encantado’s, série original Globoplay, que tem no elenco e na representatividade bons pontos de apoio

Na imensidão de lançamentos quase diários dos streamings, é muito difícil que uma produção se sobressaia perante a saturação do mercado. No meio desse mar de novos títulos, Encantado’s chamou atenção em 2022. Despretensiosamente engraçado e com elenco de maioria negra, o seriado nacional da Globoplay foi uma grata surpresa e até garantiu uma renovação para a segunda temporada.

A comédia acompanha os irmãos Olímpia e Eraldo, que herdam um empreendimento peculiar do falecido pai: de manhã é mercado, no período da noite é ginásio da escola de samba Joia do Encantado. O elenco carismático, a situação inusitada e a forma de encaixar o riso em todo tipo de situação fazem da série única.

Criada por Renata Andrade e Thais Pontes, duas mulheres negras, a série realmente tem cara de novidade, mas principalmente traz para a tela a pluralidade. “Enxergar quão plurais somos é fundamental. Essa pluralidade está, inclusive, na nossa capacidade de rir, sobretudo de nós mesmos. Trazer nossas questões e tratá-las pelo viés do humor me parece a maneira mais precisa de atingir o público, seja ele negro ou não”, explica Renata sobre o humor proposto, que para ela não tem um único público alvo. “Encantado’s busca divertir pelo que temos de mais comum e mais universal, que são as relações e todos os conflitos que elas trazem”, acrescenta.

Talvez o que mais chama atenção é um fato que deveria ser padrão na televisão brasileira. Dos 17 atores que compõem o elenco, 14 são negros. “O Brasil é um país de maioria negra. Somos mais de 54% da população. Não falar da gente e não nos colocar na tela é esconder a realidade do país. A gente quer se ver e se identificar”, avalia Thais.

“Isso é importante para mostrar a diversidade dentro da negritude, porque muitas vezes somos representados como uma massa uniforme. Acho que o Encantado’s escancara também que negros não precisam necessariamente só falar sobre racismo ou violência. Não somos só dor. Precisamos falar de nossas mazelas também, mas somos muito mais que isso. Eu quero e posso falar sobre qualquer tema. Eu quero e posso contar qualquer história”, ressalta ela.

Globo/Victor Pollak

Para as autoras, é uma série que vai abrir portas não só para elas, mas também para quem vem depois delas. “Ver o Encantado’s se tornar realidade é muito importante para gente profissionalmente e pessoalmente. Sem dúvida, ele mudou nossas vidas. Acho que esse projeto e o sucesso que ele vem alcançando além de dar visibilidade para nós duas como autoras, serve de impulso para muita gente que está aí ou que virá”, diz Thais.

“Acho que algumas portas se abrirão para nós duas, mas eu espero e torço muito para que muitas portas se abram para pessoas que se identificam com a gente, que têm perfil ou origem semelhantes às nossas. Entender que é possível chegar lá e realizar é fundamental e eu tenho plena noção do que isso representa. Assim como eu tive em quem me inspirar, eu espero que outras pessoas me vejam aqui e se sintam motivadas a seguir investindo naquilo que elas acreditam e também esperam realizar”, completa Renata.

Pedro Ibarra

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