Elenco de ponta e enredo enxuto dão o tom de O método Kominsky

Compartilhe

O método Kominsky é uma das mais simpáticas descobertas dentro do catálogo da Netflix

Por Nahima Maciel

Esqueça a imagem que Michael Douglas costuma passar quando aparece na tela, aquela de lobo de Wall Street, predador sexual e ambicioso sem escrúpulos. Sandy Kominsky não é nada disso, embora cause uma certa apreensão no espectador: difícil não ficar na expectativa do momento em que ele vai sair do trilho. Ele até derrapa, mas por outros motivos.

O método Kominsky é uma das mais simpáticas descobertas do desespero causado por um zapeamento ansioso. Lançada há duas semanas, a série da Netflix tem oito capítulos curtos, de 30 minutos em média, e um elenco enxuto, mas que se basta. Michael Douglas (Sandy Kominsky) divide a tela com Alan Arkin (de Pequena Miss Sunshine e Argo) e Nancy Travis (Três solteirões e um bebê).

Ator que um dia fez sucesso e hoje está esquecido na cena hollywoodiana, Sandy mantém uma escola de teatro na qual é o dono do palco. Os alunos ficam ridiculamente paralisados, emocionados e ávidos diante de qualquer comentário daquele que leva no currículo profissional o fato de ter preparado celebridades oscarizadas e, no amoroso, o detalhe de ter dormido com todas (ou quase todas) elas.

Arkin é Norman, agente milionário cuja esposa está no estágio final de um câncer extremamente agressivo. Os dois são amigos. Muito amigos, e é esse detalhe a boa surpresa da série. Também têm em comum a paternidade uma tanto desastrosa. A filha de Sandy é prestativa, presente e cuidadosa com um pai outrora bastante ausente. A de Norman, uma alcoólatra que, aos 45 anos, já passou por mais de cinco clínicas de reabilitação.

A aparentemente personalidade egoica de Sandy nada mais é que medo de envelhecer. E de morrer. Ele é um ator e, claro, tem dificuldades em ver sua figura ser invadida pelas agruras da velhice. Andou namorando alunas de 26 anos até aparecer Lisa (Travis), cinquentona divorciada, aluna de teatro da escola Kominsky por pura diversão.

Norman é o oposto. O casamento de mais de quatro décadas é o centro de uma parceria que se estendeu da casa para o mercado do audiovisual de Hollywood. Perder a esposa não é fácil para ele e é aí que a amizade de Sandy mostra solidez. Ele comparece e permanece ao lado do amigo. Uma cena em que os dois estão no carro, em uma roadtrip cheia de citações a Telma e Louise, dá a medida do desalento de um e da disposição do outro em salvar o amigo de si mesmo. Ao final, um resgata o outro nesta comédia criada por Chuck Lorre, de Big Bang Theory e Young Sheldon. Sim, porque é comédia, bom lembrar. E das boas.

Posts recentes

Análise: Mais que a originalidade, ‘Três Graças’ vence coroando a autenticidade

A novela original superou o aguardado remake de Vale tudo, lamentavelmente desconfigurado por Manuela Dias  Patrick…

3 dias atrás

A onipresença de Belo na telinha

O ano de 2025 foi do cantor, que se lançou como jurado de reality, ator…

4 dias atrás

Análise: Prisão de Gerluce escancara a saudade que o público estava do novelão

É nesse ponto que Três Graças se afirma como um novo marco da teledramaturgia. A…

1 semana atrás

Em tom pop, ‘Por dentro da machosfera’ revela as engrenagens do movimento red pill

Recém-chegado à Netflix, Louis Theroux: por dentro da machosfera é o novo documentário do jornalista…

2 semanas atrás

“Vale tudo” — a verdadeira novela — está de volta à tevê

Após o criticado remake assinado por Manuela Dias, Globoplay Novelas exibe uma nova reprise do…

2 semanas atrás

Band exibe “Noite Especial Dona Beja” nesta quinta (5/3)

Especial marca estreia da exibição na tevê aberta da novela feita para o streaming da…

4 semanas atrás