Crítica: Please like me

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Série australiana de 2013, Please like me chegou à Netflix no ano passado e desde então divide a opinião do público. Seria o “novo Girls“? Será que vale a pena?

Veredicto: Bom

Em novembro do ano passado, a Netflix incorporou ao seu catálogo a série australiana Please like me. A produção já estava fazendo barulho na internet desde o lançamento na Austrália, em 2013, e chegou a ser apontada pela crítica internacional como a “nova Girls“, em referência ao seriado de Lena Dunham.

A série australiana tem sim alguns motivos para ser comparada a Girls, da HBO. O primeiro é o fato de, como Lena Dunham, o ator Josh Thomas é o protagonista, ao mesmo tempo que é criador, diretor e roteirista do seriado. A história de Please like me veio das experiências de Josh Thomas, que levou para a telinha momentos íntimos de sua vida durante quatro temporadas (recentemente, ele anunciou o fim da trama na quarta sequência). A temática também tem lá suas semelhanças com Girls, mas para por aí. O estilo da série é completamente diferente, com episódios curtos de, no máximo 27 minutos, e abusando do humor irônico e sarcástico, característica do protagonista.

Mas, o que é Please like me?

Please like me acompanha o personagem Josh (Josh Thomas), um jovem de 20 anos que leva um pé na bunda da namorada por acreditar que ele é gay. O fim do relacionamento com Clairie (Caitlin Stasey) não chega a abalar o protagonista, mas cria a oportunidade para que Josh tenha uma experiência homossexual com Geoffrey (Wade Briggs). Essa é a primeira grande discussão da série: a descoberta de Josh no mundo homossexual, o que leva a diálogos sinceros entre ele e o melhor amigo Tom (Thomas Ward) e a debates em como sair do armário para a família, que Josh classifica como “algo tão anos 1990”.

Josh é um protagonista incomum. É inseguro, supersincero, não sabe demonstrar sentimentos, tem medo de compromisso e faz piadas que nem todos entendem. Ou você o ama, ou o odeia. Não há como ter meios termos em relação ao personagem e isso se reflete na trama. Toda essa exposição de defeitos é o que encanta em Josh. Ao trazer experiências de sua vida, Josh Thomas faz da série real, cria empatia e faz rir em certos momentos, se você for fã de um humor mais irônico.

Os personagens que cercam Josh também são bastante interessantes, como a mãe Rose (Debra Lawrance), que traz o debate em torno da depressão. No primeiro episódio da trama, ela é levada para um hospital por tomar uma série de remédios com uísque e quase morrer. A partir daí, a rotina de Josh precisa mudar para ajudar a mãe. Ele volta para a casa dela, é infernizado pelo pai Allan (David Roberts), que acredita que tudo que acontece com a ex-mulher tem a ver com a separação, e começa a conviver com a Tia Peg (Judi Farr), uma velhinha religiosa e sem papas na língua — a melhor personagem da série.

Crédito: Pivot/Reprodução. Tom, Clairie, Josh e Rose.

Além disso, o grupo de amigos de Josh também é composto por bons personagens. Há Tom, o melhor amigo, que tem uma namorada maluca, Niamh (Nikita Leight-Pritchard), com quem nunca consegue terminar. E Clairie, a ex-namorada de Josh, que, logo, se torna uma das melhores amigas dele. Destaque também para a atual mulher do pai, Mae (Renee Lim), tailandesa que largou o país após conhecer Allan e decidir se casar com ele.

Já não bastasse ter bons personagens, Please like me consegue se destacar entre as outras séries por simplesmente não ser um produto americano, como é tradicional na televisão. A série tem vários contrastes. Tem um lado pessimista, mas abusa nas cores. Tem formato de comédia, com episódios pequenos, mas nada lembra a vertente das sitcoms, a não ser pela leveza com que se segue de um episódio para o outro.

SERVIÇO
Please like me
Quatro temporadas disponíveis na Netflix.

Adriana Izel

Jornalista, mas antes de qualquer coisa viciada em séries. Ama Friends, mas se identifica mais com How I met your mother. Nunca superou o final de Lost. E tem Game of thrones como a série preferida de todos os tempos.

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