O céu da meia-noite se distancia da ficção científica para ser obra existencialista

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Longa-metragem O céu da meia-noite estreia nesta quarta-feira (23/12) na Netflix. Confira crítica!

Antes de dar o play para assistir ao filme O céu da meia-noite, inspirado no livro de Lily Brooks-Dalton e adaptado sob direção de George Clooney, é preciso entender que a obra é menos uma ficção científica e mais um drama. Há evidentemente os símbolos que denominam o gênero ao qual o longa-metragem está enfileirado, mas a intenção do filme é seguir outro caminho, levantar um debate sob uma perspectiva de existencialismo, tratando, principalmente, de arrependimento.

A história se passa em 2049 após a Terra ter sido completamente devastada. A produção não se aprofunda sobre o que de fato aconteceu, mas transparece que foi fruto da ação humana. Daí a fala de George Clooney de que O céu da meia-noite é um filme que acaba se relacionando com a atualidade e que pode até ser premonitório, se levado em consideração o tratamento que o meio ambiente tem tido.

Crédito: Philippe Antonello/NETFLIX ©2020

A narrativa se divide em dois núcleos. O primeiro é exatamente na Terra e onde está Augustine, o cientista vivido por Clooney. Ele acaba ficando sozinho no Ártico e se dá uma missão: a de avisar aos tripulantes de uma espaçonave que viajaram em busca de locais para serem colonizados pelos humanos de que não há um planeta para eles voltarem. Essa tarefa é também o modo de sobrevivência do personagem, que está em fase terminal de uma doença e se vê solitário.

Logo no início do filme, Augustine se depara com uma criança esquecida na estação em que ele está. É Iris (Caoillin Springall), que passa a ser a fiel escudeira dele. A relação dos dois é interessante. Percebe-se uma desconfiança da menina, além da falta de diálogo. Tudo isso faz com que Clooney entregue uma atuação comovente. Dá para sentir a angústia desse homem solitário e, aos poucos, o espectador vai entendendo os erros que o atormentam nesse momento que seria o fim da vida dele.

Quase como um outro longa-metragem está a história do outro núcleo. Esse localizado no espaço e que acompanha os tripulantes da nave que tenta retornar para a Terra após a descoberta de uma lua em que é possível ser habitada pela humanidade. Estão lá Sully (Felicity Jones), Gordon (David Oyelowo), Maya (Tiffany Boone), Sanchez (Demián Bichir) e Mitchel (Kyle Chandler). Neste momento, o filme pode até parecer uma típica obra de ficção científica, com os astronautas investigando a lua e depois sendo surpreendidos com algum fenômeno espacial. Tudo de um modo bem óbvio e até pouco explicativo. Mesmo que o filme tente humanizar o quinteto com os diálogos sobre família, a narrativa tem dificuldade de dar liga.

Crédito: Netflix/Divulgação

Por serem duas narrativas dentro de um mesmo filme é esperado que em algum momento elas se cruzem. Até por isso é fácil descobrir a “tal reviravolta” proposta em O céu da meia-noite. Isso faz com que a cena final perca um pouco da força. Mesmo assim, ela coroa a atuação de Clooney. E a Netflix tanto sabe que o ator fez um bom trabalho, a ponto de decidir lançar o filme antes nos cinemas e depois no streaming já visando o Oscar.

Como dito anteriormente, O céu da meia-noite não cumpre o papel de ficção científica no quesito de abordar as questões do espaço e da destruição da Terra, mas sim de trazer reflexão e ser relacionável em meio a um ano em que o mundo também teve que se isolar, quase como Augustine. O que faz com que não seja uma boa opção para quem busca a ação, a aventura e o mistério de um ficção científica. No entanto, quem procura algo mais profundo em relação a sentimentos, pode ser uma boa pedida. Só é preciso também estar preparado com os momentos em que a produção parece se prolongar em excesso.

O próprio Clooney define a produção como um encontro entre Gravidade e O regresso.

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