Crítica: Guerra do amanhã mostra que não é preciso ser imprevisível para ser divertido

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Chris Pratt viaja para o futuro para lutar contra alienígenas, mas o público não precisa ir para o futuro para saber o final de Guerra do amanhã

Por Pedro Ibarra*

Prever o desenvolvimento da história de um filme na maioria das vezes passa a impressão de um roteiro pouco original. No entanto, um enredo previsível coloca o espectador numa zona de conforto que não necessariamente é negativa. Esse movimento é muito perceptível em Guerra do amanhã, nova produção original Amazon Prime Video que estreia nesta sexta (2/7). Na ficção científica,  Chris Pratt divide tela com nomes como J.K. Simmons, Yvonne Strahovski e Sam Richardson.

O longa se passa em 2022, quando um grupo de pessoas vindas do ano de 2050 voltam no tempo para recrutar cidadãos do passado. O motivo é uma guerra entre humanos e alienígenas que está ameaçando a vida humana na Terra de extinção. Neste contexto, Dan Forrester, um ex-militar e professor de biologia interpretado por Chris Pratt, é convocado para passar sete dias no futuro. Pode estar nas mãos dele a salvação do futuro do planeta.

O filme investe fortemente na ação, principalmente com tiros e monstros. Os alienígenas, conhecidos como Garras-brancas, são seres implacáveis e toda aparição deles é regada de muito sangue e cenas muito violentas. Os personagens não economizam balas quando estão em combate com os gigantes monstros brancos.

Guerra do amanhã mexe com viagem no tempo, trabalha com aliens, apresenta uma guerra e abusa da ação —  sem inovar em nada em nenhum dos aspectos. Porém, toda a parte da adrenalina agrada muito, prende bem o espectador e é bem executada. O diretor Chris McKay, conhecido por longas de animação como Lego Batman, utiliza muito bem a computação gráfica, com o qual Chris Pratt também interage competentemente, levando em consideração que já trabalha com personagens CGI nas franquias Guardiões da galáxia e Jurassic World.

Guerra do amanhã tem roteiro raso

Contudo, cada passo dos personagens é previsível. O roteiro não é capaz de esconder os mistérios que propõe e ainda investe em um drama familiar que acaba tomando conta das ações dos personagens. Tudo é sobre família, inclusive o fim da existência humana no planeta Terra.

A produção é majoritariamente de ação, mas transita entre gêneros de forma muito decente. A ficção científica é plano de fundo bem executado, o drama toma o núcleo principal e o carisma de Chris Pratt e Sam Richardson proporciona momentos bastante cômicos. Por ter um pouco de cada coisa, o filme acaba por não se aprofundar em quase nada. A origem dos vilões não é 100% clara, o desenvolvimento dos personagens é em sua maioria raso, fato que diminui a verossimilhança nos momentos de emoção que a história propõe.

Por mais que as falhas sejam evidentes, o filme é entretenimento puro. É uma narrativa simples, com referências que passam pela franquia Alien e chegam à franquia Exterminador do futuro. O filme não tem um enredo complexo o suficiente para ser um clássico de ficção científica da nova geração e provavelmente não será uma produção marcante. No entanto, as 2h18 do longa passam rápido e, mesmo com o desenvolvimento do filme claro para qualquer espectador mais atento, é uma excelente opção de diversão simples na Amazon Prime Video.

*Estagiário sob a supervisão de Vinicius Nader

Vinícius Nader

Boas histórias são a paixão de qualquer jornalista. As bem desenvolvidas conquistam, seja em novelas, seja na vida real. Os programas de auditório também são um fraco. Tem uma queda por Malhação, adorou Por amor e sabe quem matou Odete Roitman.

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