‘Beauty in Black’ e o prazer de uma boa vilã

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Desde que a segunda temporada de Beauty in Black chegou à Netflix — há pouco mais de duas semanas — procuro uma forma de fazer uma crítica justa à obra. A verdade é que a produção não é nenhuma ganhadora do Emmy nem possui aspectos técnicos relevantes, mas detém o melhor que uma série poderia sonhar: uma boa vilã e um roteiro magnético.

Todo fã de seriados sabe o quanto um antagonista bem construído pode salvar uma história. Com o passar do tempo, contudo, esse personagem tão fundamental ganhou novos contornos. Figuras “vítimas” passaram a ter momentos de vilania, enquanto os maus, eventualmente, tornam-se heróis.

De certa forma, esse apagamento do vilão clássico foi positivo, pois ajudou a criar personas mais dinâmicas e desafiadoras. É inegável, contudo, que um vilão autêntico, praticando maldades a torto e a direito, proporciona um prazer único ao espectador.

É exatamente aí que Beauty in Black brilha. Todos são vilões no sentido literal da palavra, mas a que mais se destaca é a excepcional Mallory (interpretada por Crystle Stewart). Seja jogando um balde de café fervente no marido e na amante dele, seja deixando essa amante queimar viva depois enquanto fuma um cigarro. As maldades de Mallory são extremas.

Estilo novelão e maldades em doses cavalares

Beauty in Black conta a história de Kimmie (Taylor Polidore), uma jovem que vive nos subúrbios de Chicago e sobrevive por meio do strip-tease e da prostituição. Ela e a melhor amiga, Rain (Aamber Reign Smith), estão presas nas garras do cruel Jules (Charles Malik Whitfield), um capanga da família Bellarie. O clã imponente tem como patriarca Horace (Rico Ross), homem que administra uma empresa de cosméticos com mãos de ferro.

Os filhos são Roy (Terrell Carter) e Charles (Steven G. Norfleet). Mallory, esposa de Roy, é a única que se importa realmente com o futuro da companhia, enquanto os demais apenas desfrutam dos lucros. O grande ponto de virada ocorre quando Kimmie torna-se esposa de Horace, saindo do fundo do poço para o topo do mundo.

Mallory in Black

A produção aposta em um roteiro forte, com diálogos pouco sutis e muito expressivos. Funciona. A dinâmica flui e é prazerosa de assistir. Mas a cereja do bolo é Mallory. Capaz de tudo para manter o casamento de aparências, ela comete atrocidades que desafiam a lógica. Enquanto isso, no espectro da “mocinha”, a protagonista Kimmie chega a ser enfadonha. Já os coadjuvantes entregam valor: são dinâmicos e entram na trama com precisão estratégica. Em resumo: uma ótima pedida para maratonar.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

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