Heleninha (Paolla Oliveira) surge embriagada, deixando todos em choque | Fábio Rocha/Globo
Patrick Selvatti
O remake de Vale tudo terminou com audiência, repercussão e faturamento satisfatórios para a emissora, mas rodeado de críticas sobre o desvirtuamento feito por Manuela Dias de uma obra clássica, originalmente criada por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères. O Próximo Capítulo, que já analisou os diversos problemas da adaptação, agora preparou o que, de fato, valeu a pena na releitura.
Elenco veterano impecável
A Raquel de Taís Araújo foi profunda e lamentavelmente apagada pela autora, ainda que se mantendo como baluarte da ética e da honestidade. A interpretação da atriz, nos momentos em que teve o devido destaque da heroína, foi magistral, principalmente nos embates com a filha, Maria de Fátima (Bella Campos). Taís mostrou que é gigante, assim como Paolla Oliveira, que contrariou as expectativas e segurou bem o desafio e o presente que recebeu: a complexa Heleninha Roitman.
Já a vilã Odete Roitman, papel que chegou a ser cogitado para Fernanda Torres, que negou para se dedicar ao Oscar com o filme ‘Ainda estou aqui’, voltou na pele de Debora Bloch repaginada, com tons de deboche, sedução e humor. A interpretação da veterana atriz foi tão magistral que até os absurdos criados pela autora Manuela Dias passaram — como o excesso de namorados, a trama inverossímil do filho que não estava morto e o “mata, mas não morre” com Marco Aurélio, vivido agora por Alexandre Nero. Aliás, o intérprete do vice-presidente da TCA também merece todos os aplausos pela composição do vilão obsessivo-compulsivo. As frases ácidas e o humor refinado da dupla agradou, mas há de se reconhecer que o texto levado para o cômico pela adaptadora contribuiu muito para o êxito — o que é um dos pontos mais questionáveis pela crítica.
Novatos que deram o nome
Diferentemente da versão original, em que o fotógrafo Olavo (Paulo Reis) entrava no meio da novela para ser um mero cúmplice da arrivista Fatima (Glória Pires) e do gigolô César (Carlos Alberto Riccelli), agora esse trio se fortaleceu com lealdade e humor. Ao lado de Bella Campos e do veterano Cauã Reymond, o estreante em novelas — e premiado no cinema — Ricardo Teodoro formou um triângulo amoral que caiu no gosto popular e ressaltou o talento e o carisma do ator mineiro.
Outra que demonstrou potência e ganhou da autora o merecido destaque que a antecessora Rosane Gofmann não teve em 1988 foi Belize Pombal, intérprete da secretária-executiva Consuelo. Grande atriz que já havia se mostrado potente na primeira fase de Renascer e em Justiça 2, em 2024, a artista paulista deu seu nome desde o primeiro momento em que surgiu na tela, seja nas cenas leves seja nas mais densas que vivenciou. Aqui, cabe também assinalar o talento de Jéssica Marques, que, na cena em que Daniela se forma em direito, transmitiu toda a emoção que a cena — carregada de representatividade — pedia.
Rosto também pouco conhecido do grande público, Ingrid Gaigher compôs uma Lucimar mais jovem, mantendo o deboche da original vivida por Maria Gladys na primeira versão. Por decisão da autora da releitura, sua faxineira se tornou mãe solo e, além do filho, ganhou uma trama com o porteiro Vasco (Thiago Martins) que foi um dos maiores serviços de utilidade pública da novela: na cena em que Lucimar entra com um pedido de pensão alimentícia para o filho, a reação foi imediata: a Defensoria Pública registrou 4.500 acessos por minuto ao aplicativo do órgão logo após a exibição do capítulo. Em apenas uma hora, mais de 270 mil mulheres buscaram informações sobre o direito à pensão — muitas inspiradas pela coragem da personagem fictícia.
Por fim, apesar de bem aproveitado em quantidade, mas não em qualidade, o novo enredo em que Leonardo, o primogênito de Odete Roitman, não morreu e foi mantido por 13 anos escondido de todos revelou ao público o talento indiscutível de Guilherme Magon, cuja atuação foi amplamente elogiada por sua profundidade emocional e capacidade de transmitir sentimentos por meio apenas de olhares e gestos.
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