Amanda Mirásci festeja seus 30 anos de carreira artística

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Com trabalhos na tevê, no teatro e no cinema, atriz carioca relembra trajetória e projeta futuro

Patrick Selvatti

Festejando 30 anos de carreira, Amanda Mirásci fez participação recente na novela Garota do momento (2024), após passagens pelas produções da Globo A lei do amor (2016) e Cara e coragem (2022), além da série Ringue, do Canal Brasil. Recentemente, fez sucesso nos palcos de São Paulo com seu primeiro monólogo, A autoestima do homem hétero. A obra, idealizada e escrita pela artista, conta a história de Carina, uma farmacêutica que desenvolveu um medicamento revolucionário: a autoestima do homem hétero em cápsulas. No lançamento do produto, ela apresenta ao público os componentes da fórmula, relembrando cenas hilárias e dando vida aos tipos masculinos que serviram de matéria-prima para sua pesquisa. Entre humor, crítica e vulnerabilidades pessoais, ela revela suas próprias inseguranças e decide experimentar o medicamento que promete revolucionar o mundo.

Mas esse não é seu primeiro projeto criado para o teatro.  Com 42 anos e formada em interpretação cênica pela Faculdade Estácio de Sá e pela Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), Amanda Mirásci também já idealizou Uma vida boa, que lhe rendeu indicações ao Prêmio Cesgranrio e ao APTR de Melhor Atriz, e Mansa. Nos palcos, a carioca atuou em Inútil a chuva, O branco dos seus olhos e Isso vai funcionar de alguma forma. Já no cinema, fez o longa Todo clichê de amor.

Entrevista | Amanda Mirásci

Você fez recentemente uma participação em Garota do momento em cenas de humor e agora está fazendo uma comédia no teatro. Há diferença?

Engraçado você trazer essa pergunta sobre a tevê, porque foi justamente o trabalho nela que me reconectou com a comédia. No início da minha carreira, eu fazia muito humor. Depois, a profissão foi me levando pra outras experiências, outras parcerias, e acabei me afastando desse gênero que eu tanto amo fazer. Foi a novela Cara e coragem que me trouxe de volta. A partir dali, o universo foi fazendo sua parte, e logo vieram Garota do momento, com a Flávia Reis, e Falas femininas, com a Marisa Orth. Duas gigantes do humor que eu sempre admirei. Quando você tem uma parceira generosa e com um timing cômico afiado, tudo flui naturalmente. Mas na tevê, a resposta vem depois. O público não está ali. Já no teatro, a resposta é imediata, viva. Não tem nada igual a sentir o público reagindo em tempo real. E, graças a Deus, em A autoestima do homem hétero, as risadas tem sido altas (risos). Os homens se divertem, riem de si próprios. As mulheres vibram, gritam “Yuhuu!”, “É isso aí!”. Essa troca é algo que não dá nem pra descrever. É especial demais.

Em 2025, você festeja 30 anos de carreira. Como avalia sua trajetória? E o que espera para os próximos 30?

Que legal essa pergunta! Às vezes a gente se concentra tanto em olhar pra frente que esquece de olhar pra trás, né? Eu comecei a fazer teatro com 10 anos de idade, e o que eu senti na primeira vez que pisei num palco é o que eu tento manter vivo até hoje. Uma alegria imensa e uma sensação muito forte de pertencimento. O teatro é a minha casa. Atuando eu me sinto inteira e feliz! Nesses 30 anos, foram tantos trabalhos especiais… Uma vida boa foi minha primeira grande realização, minha primeira indicação a prêmio, um processo criativo gostoso, um sonho. Cara e coragem me trouxe uma personagem super legal no meio de um elenco de ídolos meus. Inútil a chuva com a Armazém Cia. de Teatro, companhia que eu cresci assistindo e admirando. Todo clichê do cmor, Ringue, O branco dos seus olhos, Falas femininas, Mansa… entre o teatro e o audiovisual, eu posso dizer que tive muita sorte nos meus encontros. E esses são os trabalhos que mais comemoro: os que eu fui feliz fazendo. Com parceiros interessantes e interessados, contando uma história em que eu acreditava, sendo dirigida por pessoas que enxergam o ator como artista criador, com colegas de cena generosos, bons de jogo, bons profissionais. Alguns trabalhos trazem dinheiro, mas não trazem satisfação; outros trazem satisfação, mas não trazem prestígio; outros trazem prestígio, mas não trazem público. Espero que nos próximos anos eu consiga realizar trabalhos que reúnam o máximo de tudo isso, mas principalmente, que me deixem feliz como aquela Amandinha de 30 anos atrás.

Patrick Selvatti

Sabe noveleiro de carteirinha? A paixão começou ainda na infância, quando chorou na morte de Tancredo Neves porque a cobertura comeu um capítulo de A gata comeu. Fã de Gilberto Braga, ama Quatro por quatro e assiste até as que não gosta, só para comentar.

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