A Birosca se consolidou como um dos espaços mais simbólicos da vida noturna alternativa de Brasília. Frequentado por artistas, estudantes e amantes da cena underground, o local vai além da definição de “balada”: tornou-se um ponto de encontro para todos os públicos. No coração do Setor de Diversões Sul, o ambiente transforma a capital, tornando-a menos institucional e mais diversa e pulsante. Fundada em 2019, a casa é a continuação de um projeto que existia, anteriormente, no subsolo do Teatro Dulcina – conhecido como Sub Dulcina –, no Centro Comercial Boulevard (Conic).
“Desde a década de 1990, o espaço já recebia diversas festas e manifestações culturais. Em 2015, realizamos uma reforma para receber coletivos, eventos, bandas e DJs, fortalecendo a ocupação cultural do local. A Birosca surgiu como uma evolução natural desse processo, dando continuidade a esse trabalho”, conta Carlos Eduardo Peixoto Guimarães, conhecido como Kaká Guimarães, sócio-fundador e produtor cultural da Birosca.
O nome “Birosca” veio de forma despretensiosa, em uma conversa com Igor Albuquerque, seu sócio. “A gente tem que ser exatamente o que é: uma birosca no centro do Conic”, recorda Kaká acerca da fala do amigo. “Quando ouvimos aquilo, percebemos imediatamente que aquele era o nome certo. Ele representava exatamente o que sentíamos naquele momento”, complementa.
A ideia que deu origem ao nome também dialogava diretamente com o lugar onde o projeto iria residir. Além de Kaká e Igor, o espaço foi idealizado pelas sócias Carol Borges e Mayara Machado, formando o grupo responsável pela criação da Birosca. Para eles, permanecer no Conic aconteceu de forma natural.
O sócio-fundador e produtor cultural ressalta que o local sempre abrigou a cultura alternativa do Distrito Federal. Na percepção do empresário, a localização no centro da cidade, ao lado da Rodoviária do Plano Piloto, faz dele um ponto de encontro democrático para diferentes públicos. O empreendedor também comenta que, antes de iniciar as atividades da Birosca, os sócios perceberam que faltava um ambiente na cidade capaz de abrigar produtores, coletivos e iniciativas culturais.
“A cena existia e era bastante criativa, mas havia uma carência de espaços independentes que acolhessem novas ideias, diferentes linguagens artísticas e eventos produzidos de forma colaborativa”, explica. Mantendo a sua essência, a casa cresceu com o passar dos anos e se consolidou como um ambiente que, além da cultura, também promove a inclusão e o respeito à diversidade.
“É um espaço onde as pessoas podem realmente ser quem são, sem medo de julgamento ou preconceitos”, diz. Atualmente, Kaká enxerga a Birosca como um hub de economia criativa e de curadoria cultural. Para ele, espaços alternativos, como a Birosca, ajudam a fomentar a cena local, criar oportunidades para novos talentos e formar público para diferentes tipos de eventos e manifestações culturais.
“Eles funcionam como laboratórios de criação, onde artistas podem experimentar, desenvolver seu trabalho e construir uma trajetória. Essa cadeia produtiva da cultura alternativa é fundamental, porque é dela que surgem muitos dos grandes artistas e projetos culturais do futuro. Tudo começa nesses espaços”, afirma.
Além das festas
O sócio-fundador destaca que, ao longo dos anos, a Birosca já realizou diversos cursos, oficinas e atividades formativas. Atualmente, a casa está trabalhando no lançamento da Escola de Produção da Birosca, que pretende oferecer cursos em diferentes áreas da cultura.
“A proposta é desenvolver um laboratório de imersão cultural com profissionais experientes do mercado, oferecendo conteúdos práticos e atualizados para que mais pessoas possam se qualificar e construir uma trajetória profissional na cultura e no entretenimento”, conta.
Para fortalecer a cultura na cidade, Kaká indica que, recentemente, foram realizadas oficinas de discotecagem, videomapping, atuação de VJs e marketing de guerrilha. “A ideia é aprofundar esse trabalho, formando novos produtores, artistas e agentes culturais e compartilhando conhecimentos sobre produção cultural, editais, leis de incentivo e economia criativa”, indica.
Três perguntas para Carlos Eduardo Peixoto Guimarães, sócio-fundador e produtor cultural da Birosca:
Como vocês definem a identidade musical da Birosca?
A identidade musical da Birosca é diversa e alternativa. Ela também depende muito dos produtores que realizam eventos na casa. Temos vários parceiros que desenvolvem suas próprias festas e propostas culturais, o que faz com que a programação seja bastante plural. Ao longo dos anos, recebemos festas de música eletrônica, pop, música latina, funk e diversos outros gêneros, além de muitas festas voltadas ao público LGBT+. Por isso, mais do que seguir uma única linha musical, a Birosca busca ser um espaço aberto para diferentes sonoridades, cenas e comunidades culturais.
O que vocês ainda sonham em fazer?
No novo espaço da Birosca, estamos trabalhando para criar um ambiente onde diversas atividades possam acontecer tanto durante o dia quanto à noite. Nosso sonho é contribuir para que o Conic seja cada vez mais vivo, humano e ocupado pelas pessoas todos os dias da semana. Queremos ajudar a consolidar o Conic como uma grande referência da arte e da cultura brasiliense.
Você acha que Brasília ainda carece de espaços culturais independentes?
Com certeza. E, nesse caso, é importante olhar para o Distrito Federal como um todo, não apenas para o Plano Piloto. Eu acredito que cada cidade deveria ter seus próprios pontos de encontro, suas casas de cultura e seus espaços independentes. Isso vale tanto para as regiões administrativas do Distrito Federal quanto para as cidades do entorno. Seria muito positivo se cada localidade tivesse uma cena cultural ativa, com espaços capazes de receber diferentes manifestações artísticas e formar públicos diversos.
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