Há mais de três décadas, uma floricultura de Brasília atende todo o DF, se destacando pelo conhecimento profundo sobre as flores. Sob a direção do artista floral Joaquim Santos, a Karisma Flores se consolidou na Asa Norte (CLN 309) como referência em arranjos produzidos com flores naturais. Com ampla técnica, adquirida em mais de 40 cursos, cuidado e atenção aos detalhes, a floricultura está entre as melhores da região.
Antes da Karisma Flores, o início da vida profissional de Joaquim foi marcado por desafios e perseverança. Ele chegou na cidade em 1980, aos 13 anos de idade, e começou trabalhando como faxineiro em um prédio. Três anos depois, aos 16, foi promovido a porteiro. Já aos 18 anos, após conquistar a habilitação, passou a atuar na entrega de flores, experiência que despertou sua vocação para o ramo. Dois anos depois, decidiu investir exclusivamente na floricultura, dando início ao negócio que se tornaria referência ao longo dos anos.
O contato diário com o produto, os clientes e a rotina de entregas se somaram às memórias afetivas da infância ao lado do pai, na fazenda, onde nasceu sua sensibilidade e paixão pelas flores. “Eu sempre o acompanhava. Lá eu via as flores e ficava encantado: as da roça, as flores da melancia, da abóbora… sempre fui muito apaixonado por flores”, recorda.
Além disso, Joaquim conta que possui uma sensibilidade muito grande. “Cada flor que eu pego me transmite uma sensação diferente. Quando é uma orquídea, é como se eu estivesse segurando um bebê, uma criança. Já uma flor tropical desperta outra sensação”, complementa o empresário.
Ao adentrar na área, o empreendedor teve a oportunidade de ir a Holambra, em São Paulo, e participar de um leilão de flores para entender como tudo funcionava. O município paulista é considerado a Capital Nacional das Flores. De acordo com a Confederação Nacional de Municípios (CNM), a região é responsável por 40% do comércio nacional e 75% das exportações brasileiras de flores e plantas.
“Durante a minha trajetória, que não foi fácil, fiz 35 cursos em Holambra e na faculdade de Arte Floral na Universidade Iberoamericana, na Argentina. Também ministrei mais de 200 cursos em feiras nacionais e em vários atacadistas, além de parcerias com o Senac/DF, Sebrae/DF e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio). Tive participação na Copa Centro-Oeste de Arte Floral e na Copa Nacional de Arte Floral. Realizo, ainda, treinamento em diversas igrejas em arte floral e em várias lojas de plantas”, acrescenta.
Resiliência
A decisão de Joaquim de sair do Nordeste para vir à Brasília surgiu a partir de um ato de coragem. Ele recorda que, no início, enfrentou dificuldades. “Minha irmã morava em Brasília e eu vim para trabalhar, mas não era só isso: eu precisava mandar dinheiro para o meu pai. Esse foi o combinado. Então, sempre sobrava pouco, porque eu ajudava minha família”, conta.
No início, quando trabalhava como faxineiro, Joaquim não tinha condições de alugar um espaço para morar. Então, residia no local em que trabalhava. “Conversei com o síndico e pedi para ficar ali por uns seis meses, até conseguir juntar um dinheiro e arrumar um local”, comenta.
No entanto, após uma nova eleição no prédio, a nova síndica não permitiu que Joaquim ficasse no local. “Quando saí pela garagem, olhei e falei comigo mesmo: ‘eu vou comprar um apartamento aqui’. Eu não tinha condição nem de alugar um lugar para ficar, mas guardei isso na cabeça”, complementa.
Ele trabalhou por anos economizando cada valor que conseguia, mesmo que fosse apenas um ou dois reais, e aproveitava o tempo livre para ajudar em obras, reforçando seu objetivo de comprar um apartamento. Após oito anos de esforço, conseguiu adquirir o imóvel à vista e instalar sua empresa nele, considerando a conquista um marco pessoal e uma grande vitória.
Nessa trajetória, Joaquim traz consigo a alegria de ter a sua esposa, Lúcia Santos, ao seu lado. “Dividimos tanto as dificuldades quanto as vitórias, sempre juntos. Eu ficava mais na parte de ornamentação, na oficina, e também cuidava da administração da empresa. Ela era responsável pelas compras. Infelizmente, há cinco anos, ela sofreu um AVC e precisou parar as atividades na empresa. Hoje, ela fica mais em casa”, informa.
Três perguntas para Joaquim Santos, proprietário da Karisma Flores:
Como garantir qualidade num produto tão frágil?
A técnica aprendida de hidratar e cuidar das flores e a experiência de tantos anos em escolher o melhor produto para sempre oferecer o melhor aos meus clientes.
Qual parte do trabalho o cliente nunca imagina?
Levantar antes das cinco horas da manhã, receber as flores que vêm de Holambra, Distrito Federal e entorno, limpar o excesso de folhas, uma a uma, hidratar, usar conservante natural e deixá-las descansando na câmara fria na temperatura adequada. E o mais importante: o carinho e o amor pelas flores, porque elas sentem!
Como imagina o futuro da loja?
Vendendo para todo o Brasil, com qualidade e eficiência nas entregas, procurando sempre manter a pontualidade e qualidade dos produtos oferecidos, afinal, estamos no ranking das três melhores floriculturas de Brasília. E, meu maior orgulho é poder ver que meus filhos têm o mesmo amor que eu tenho pelas flores, mantendo vivo esse negócio que construí com tanto suor e dedicação.

