Há mais de seis décadas, a cerealista Guará Alimentos constrói a sua trajetória aliando tradição e compromisso com o Distrito Federal. Especializada na produção e no empacotamento de alimentos naturais, a empresa acompanha a evolução dos hábitos alimentares sem abrir mão de um princípio fundamental: valorizar a cultura alimentar brasileira e tornar o acesso à comida de qualidade uma realidade para milhares de famílias.
Ao longo dos anos, esse compromisso se traduziu em produtos práticos, confiáveis e acessíveis, presentes no cotidiano dos consumidores. Para a marca, mais do que produzir alimentos, há um elo entre o campo, a indústria e o consumidor final, contribuindo para a preservação de saberes tradicionais e para a segurança alimentar no Centro-Oeste.
“Somos uma marca popular, que reflete a integração de culturas, povos e etnias típicas da colonização interestadual que formou Brasília”, conta o proprietário Humberto Cenci. No portfólio, a empresa oferece flocão, feijão preto, feijão carioca e fubá. Atualmente, a cerealista está presente em Ceilândia, no entanto, os primeiros passos do negócio foram realizados no Núcleo Bandeirante, na década de 1960.
Humberto recorda que a entrada no segmento foi desafiadora, especialmente em um cenário marcado pelo crescimento da concorrência e pela disputa acirrada no setor. “Tentar entender um mercado novo foi um grande desafio, pois, na época, era novidade para nós e, diferente das décadas anteriores, já se configurava como um ‘mar vermelho’, com o aumento da concorrência no ramo. Com o início da produção do flocão de milho, tudo mudou. Somos pioneiros na produção de flocão no DF”, destaca.
A história da empresa foi construída a partir de decisões estratégicas, desafios superados e marcos que redefiniram seu posicionamento no mercado. Três momentos, em especial, demonstram como o negócio evoluiu, se adaptou às mudanças do setor alimentício e se consolidou como referência na produção de alimentos naturais.
“O primeiro foi em 2004, com a construção da nova sede, no Setor Industrial da Ceilândia – uma área destinada apenas para indústrias. O segundo, em 2017, por mudanças na gestão e administração da empresa, encerramos a produção de arroz e focamos na moagem do milho, visto que o ‘carro-chefe’ da empresa passou a ser o flocão de milho”, informa.
A partir desta mudança, Humberto conta que houve uma total reforma da área de produção com a troca de todos os equipamentos por modelos modernos e que reduziram a produção de poeira e aprimoraram a qualidade dos produtos. Segundo o empresário, isso possibilitou a redução de perdas e a melhoria do ambiente fabril.
Por fim, a partir de 2023, o empreendedor ressalta que houve um investimento na qualificação dos colaboradores, com contratações de mão-de-obra especializada, consultorias e treinamentos dos antigos funcionários. Essa iniciativa refletiu o lema da marca, que busca trazer qualidade do grão à entrega final do produto.
“Entregar para o consumidor um alimento de qualidade prezando a segurança alimentar, a qual vai desde a aquisição do grão, passando pelo processo produtivo e chegando à mesa do consumidor. Para a Guará, qualidade é alimentar a população sem riscos à saúde, garantindo os níveis nutricionais declarados em nossos rótulos”, explica.
Na prática, isso é possível devido ao controle rigoroso adotado pela empresa. De acordo com Humberto, no processo de produção, é trabalhado de forma prática e objetiva, garantindo que cada etapa seja respeitada e esteja de acordo com a legislação vigente – desde o recebimento e classificação dos grãos até a descarga dos resíduos de produção.
“Desta forma, contamos com o apoio de órgãos fiscalizadores, como a Vigilância Sanitária e o Ministério da Agricultura e Pecuária, assim como a consultoria de profissionais especializados na área de controle do processo produtivo e garantia da qualidade”, indica.
Nutrição animal
Além dos alimentos, a atuação da Guará Alimentos estende-se também à nutrição animal. O proprietário informa que, ao longo do processo de produção, ocorre a produção de subprodutos, como farelos, cascas e outros tipos. No processo de produção do flocão de milho, por exemplo, ocorre produção do gérmen do milho, que possui um alto valor nutricional na alimentação animal – de 30 a 33% do milho beneficiado.
“No geral, os subprodutos têm um valor baixo no mercado de alimentação humana, chegando a ter o seu valor abaixo do que foi pago na compra da matéria-prima, em alguns casos. Dessa forma, decidimos entrar no ramo de nutrição animal para agregar valor ao subproduto produzido. Hoje somos registrados no MAPA como estabelecimento fabricante de ingredientes para alimentação animal”, acrescenta.
Três perguntas para Humberto Cenci, proprietário do Guará Alimentos:
O que mudou no perfil do consumidor ao longo dessas décadas?
A dieta do consumidor brasileiro sofreu mudança ao longo dos anos, percebemos a redução do consumo do clássico “arroz com feijão”, e aumento no consumo de outras fontes de carboidratos, tais como o cuscuz e a tapioca – atribuindo-se, principalmente, devido a praticidade de preparo destes produtos.
Como a Guará Alimentos contribui para o desenvolvimento local e agrícola?
Além de gerarmos valores para a economia do Distrito Federal com a fabricação de nossos produtos, auxiliamos a região por meio de patrocínios, incentivos à cultura e ao esporte. Além disso, trabalhamos, preferencialmente, com produtores rurais e cooperativas do DF.
Que conselho o senhor daria para quem está começando na indústria alimentícia hoje?
Muito atenção no planejamento: é necessário estudar o mercado, a concorrência no setor e a disponibilidade dos insumos necessários para a produção (energia, mão-de-obra, logística e matérias-primas). Porém, principalmente, ficar atento às tributações e incentivos fiscais do setor pretendido, tendo em vista a reforma tributária que já se encontra em andamento.

