A minha melhor idade

Publicado em

Completei 36 anos na última sexta-feira e concluo que, felizmente, não sou uma vítima da Síndrome de Peter Pan. Enquanto tem gente constrangida em dizer a idade, maldizendo os anos vividos e sofrendo de nostalgia pelo passado, garanto que não trocaria, por nada, meu atual momento para ter a chance de voltar aos 20. Diante do espelho, me acho muito mais bonita e interessante agora do que uma década atrás. Também prefiro lidar minhas emoções hoje, ainda que sigam arredias. Ao menos, fiz as pazes com elas e estou mais consciente do que se passa na minha mente.

Finalmente, encontro uma vantagem por ter tido sempre a cara de “menininha”, quando sempre desejei fortemente ser considerada um mulherão. Abençoado meu biotipo que me faz ganhar uns cinco anos a menos. Os fios brancos ainda não apareceram, então, continuo sem pintar meus cabelos. Dinheiro que economizo para o botox. Afinal, o tempo passa para todos, e não tem pele que sobreviva, sem rugas, a tanta expressividade denunciada pela cara, como é o meu caso.

Não me importo se aos 20 eu era um pouco mais magra ou menos flácida. Já me conformei que nunca terei a bunda dura ou as pernas torneadas. Minha genética somada a minha falta de empenho na academia não contribuem em nada para a tarefa, quase impossível, de ser uma balzaca sarada. Tudo bem! Estou em paz com o espelho. Aceitei meus cabelos finos e inquietos. Também me conformei com minha altura que não alcança 1,60m. O problema passou a ser facilmente contornável com um acervo de saltos variados, acumulado ao longo dos anos.

Depois dos 30, aprendi a valorizar meus pontos fortes e a disfarçar os defeitos do meu rosto e do meu corpo. Faço isso de uma forma bem mais discreta do que há 10 anos, quando me vestia como se uma boneca eu fosse para, vai saber, ter os olhos voltados para minha extravagância e não para minha alma.

Mais perto dos 40 do que dos 30, tenho mais crises existenciais agora do que no passado. Talvez porque minha atenção tenha mudado de foco. O que vem de fora já não me preenche mais e se completar de si mesmo é tarefa bem mais difícil do que imaginava. Agora reconheço minhas emoções, tento evitar os desgastes, me envergonho dos chiliques e peço desculpas com mais facilidade.

Na intimidade também estou mais íntima de mim mesma. Aprendi a carregar minhas culpas e entregar ao outro o peso das próprias. A vantagem dessa idade é que você pode pagar as terapias que te ajudam a analisar seu comportamento e a modificá-lo.

Entre os 26 e 36, viajei muito, conheci pessoas e lugares. Julgo que me tornei uma pessoa mais inteligente. Li mais livros, estudei outras línguas, troquei experiência com gente com muito mais bagagem do que eu. A delícia de ter 36 é que você pode ter amigos de 20, de 50, de 60… E saberá aproveitar o melhor que cada idade pode te oferecer: seja a leveza quase irresponsável dos 25, seja a firmeza dos 35, ou a serenidade dos 65.

Aos 36, certamente sou bem mais solitária que aos 20, mas, ao mesmo tempo, aprendi a amar minha companhia e a do outro com mais profundidade. Como há menos tempo disponível para estar com que se ama, a qualidade do encontro é muito melhor.

Por essas razões não me preocupo com a passagem dos anos. Que venham os próximos 10 ou 20. Então, parabéns para mim! Estou certa de que os próximos aniversários serão ainda muito melhores do que o de hoje.

Escreva: fsduarte@hotmail.com
Siga no Facebook: In Confidências