3b4fc833-4442-4cb1-aa79-a88e301be9ea Zico em momento descontraído com os universitários em Havard. Foto: Arquivo Pessoal/Zico Zico em momento descontraído com os universitários em Havard. Foto: Arquivo Pessoal/Zico

Zico prova em Harvard que esporte e educação podem caminhar juntos

Publicado em Esporte

Phd na arte do futebol, Arthur Antunes Coimbra usou a linguagem da bola para realizar um sonho na última terça-feira: ministrar uma palestra na Universidade Havard, fundada em 1636 na cidade de Cambridge, Massachusetts, nos Estados Unidos.

 

Formado em educação física, Zico foi à academia como protagonista em um talk show no “Brasil Project 2026, liderado pelo brasileiro Virtuoso Cesario. Ele interagiu com estudantes compatriotas e de outros países. O Galinho passou a limpo a biografia retratada no documentário “Samurai de Quintino”, filme de João Wainer com estreia marcada para 30 de abril nos cinemas.

 

“É a primeira vez. Um prazer grande estar aqui para passar um pouco da minha história, da minha trajetória, e conhecer uma cidade tão importante, tão famosa, uma faculdade maravilhosa.  O mundo fala sobre Harvard”, disse Zico.

 

A ida a Havard era um desejo de família. “Meu filho sempre perturbando para vir aqui, porque ele é Boston (Celtics) alucinado. Ele vem sempre e a gente tem alguns amigos aqui. Estou feliz de conversar com esses jovens. Eu sei muito bem o que é morar no exterior, o que é correr atrás da sua vida, correr atrás dos seus sonhos, dos seus ideais e isso é gratificante. Ver a quantidade de gente que tem aqui, que luta por isso e que consegue se realizar”.

 

Zico aceitou o convite como uma forma de devolver o apoio recebido na carreira de jogador e ex-atleta. “É uma maneira de retribuir todo o carinho, toda a oportunidade que eu tive desde cedo. Eu comecei a participar de eventos sociais, eventos beneficentes, então isso foi me dando uma clareza maior do que a gente, além de jogar futebol, poderia fazer”, disse.

 

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O Galinho mostrou aos universitários como o futebol pode ser uma ferramenta de inclusão.  Depois que eu parei, nós criamos dentro do campo o Jogo das Estrelas. Criei uma escola de futebol no Rio de Janeiro, o Centro de Futebol Zico, em 1995, dando uma chance principalmente aos jovens da minha região que não tinham campos de futebol para poder participar. Fiz lá três campos, hoje nós temos mais de 40 parcerias no Brasil inteiro. Chegamos a ter só em Belém do Pará 4 mil alunos e o objetivo do nosso trabalho, da nossa escola de futebol é a formação de cidadão e não de jogador de futebol”, relatou.

 

O camisa 10 valorizou a importância do estudo paralelamente à carreira de jogador. O estudo em nenhum momento me atrapalhou. Flamengo e Seleção Brasileira sempre abriram as portas se eu tivesse que estudar, fazer prova, me formei em educação física e isso para os jovens é muito importante. Saber que eles têm que se esforçar”, reforçou, citando o papel do pai, Seu Antunes, na qualificação profissional de Zico e dos irmãos.

 

Casa cheia em Havard para o talk show com Zico. Foto: Arquivo Pessoal

 

“Eu tinha uma vida muito puxada como jogador, mas todo o tempo que era disponível eu ia de noite para a faculdade e isso foi um dos grandes pedidos que meu pai fez. Podia jogar futebol desde que estudasse. Graças a Deus, os seis filhos dele conseguiram cumprir com a palavra e os seis são formados. Tenho uma irmã que é psicóloga, dois irmãos que foram professores de faculdade e a gente fica muito feliz de poder ter dado essa alegria maior do que ter sucesso no futebol para o meu pai e para a minha mãe também, lógico”, contou.

 

Simples, o Galinho comentou que a ida inédita a Havard foi mais relevante para ele dos que para os estudantes. “Eu acho sou eu que vou botar no meu currículo, não vocês. É um currículo estar aqui em um dos locais mais conceituados no mundo”, afirmou.

 

 

O que os universitários acharam?

 

“Foi muito incrível ver a lenda do Zico falando. da trajetória dele e muito inspirador para todos os jovens”, disse a carioca Ludmila Ramos Chagas.

 

A baiana Luna da cidade de Camaçari também ficou encantada com a ministração. “Muitos brasileiros não têm um contato muito forte com o esporte na área profissional. Muitos querem seguir esse caminha e não sabem muito bem como começar. O Zico falou sobre toda a trajetória dele e foi muito inspirador. Uma pessoa incrível em um lugar incrível. Vai marcar a minha vida para sempre”, disse.

 

Gaúcha, Natália achou a interação com Zico especial. “Inspirador ver toda a coragem, força e persistência demonstrada em toda a trajetória dele, principalmente contar isso aqui no Brasil Project na Universidade de MIT.

 

Paulista de Campinas, Paulo Eduardo falou como entusiasta de futebol. “Embora eu não seja contemporâneo da história dele, sempre admirei a história do futebol, da Seleção. Tenho carinho pela de 1982. A presença do Zico na Seleção e no Flamengo são especiais mesmo para mim, que torço pelo São Paulo. A palestra conta os bastidores do futebol. Fui jogador de base e sei parte daqui pertence à realidade que vivi. Não é só sobre futebol, mas também sobre a vida, vencer e perder. Estar em Havard é magnifico, ouvir Zico em Havard, uma das maiores universidades do mundo, é único. Futebol também é ciência”, afirmou.

 

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