Diego comemora no palco em que marcou o primeiro gol pelo Flamengo. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
Dorival Júnior teve um “Pirlo” para chamar de seu na vitória deste sábado do Flamengo por 2 x 0 contra o Coritiba, no Mané Garrincha, pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro, Assim como na Era Rogério Ceni, o atual comandante rubro-negro escalou Diego Ribas no papel de volante contra um dos visitantes mais frágeis desta edição da Série A. Porém, foi ousado. Posicionou o camisa 10 outra vez como 5. Provavelmente, inspirado no início e no fim da carreira de um dos italianos mais competentes na arte de jogar no meio de campo.
Aos 23 anos, Pirlo era o primeiro volante daquele Milan campeão da Champions League contra a Juventus na conquista do título de 2002/2003 contra a Juventus. Posicionava-se à frente de Nesta e Maldini. Antes de pendurar a chuteira, cumpriu o mesmo papel na Juventus de Massmiliano Allegri na campanha do vice da Velha Senhora no torneio europeu de clubes diante do Barcelona, em Berlim. Era o guardião de Bonucci e Barzagli.
Diego não é Pirlo, óbvio, mas emulou o fora de série no Mané Garrincha. Em uma espécie de triângulo invertido, era o cabeça de área responsável por posicionar-se entre os zagueiros Gustavo Henrique e Pablo. A missão era clara a cada saída de bola. Dar qualidade ao time na saída de bola com toques curtos e longos e liberdade para os meninos João Gomes e Victor Hugo apoiarem o trio de ataque formado por Marinho, Pedro e Lázaro. Só não contem com ele para desarmar. Isso é um problema. Diego só roubou uma bola e travou três chutes do Coritiba. Embora não seja volante de origem, soube se posicionar.
O mapa de calor da movimentação de Diego mostra onde ele ficou a maior parte do tempo contra o Coritiba. Entre os zagueiro e um pouco mais à frente, na intermediária do campo de defesa rubro-negro. Naquele pedacinho de campo, acertou 59 passes, ou 95,2% das tentativas. Deu ritmo ao time reserva e foi premiado com mais um gol no Mané Garrincha.
Em 23 de agosto de 2016, Diego estreava em Brasília contra o Grêmio com um gol de cabeça. Seis anos mais jovem, assumia o papel de enganche, o meia de ligação. Em vez de 5, era um camisa 10 com o número 35 às costas. Os carregadores de piano eram Márcio Araújo e Cuéllar. Ambos corriam para Diego fazer o time jogar. O tempo depreciou o meia e obrigou os inteligentes Rogério Ceni no título brasileiro de 2020 e o recém-empossado Dorival Júnior a dar utilidade ao veterano nem que seja no time considerado reserva.
Uma vez meia, sempre meia. Diego pisou na área no lance do segundo gol e foi premiado pela venenosa cobrança de escanteio do ponta Marinho. Pedro desviou e a bola sobrou para o camisa 10 desviar para o fundo do gol do ex-companheiro Alex Muralha.
Estava consolidada a vitória iniciada com a mesma arma mortal diante do Coritiba. Lázaro havia cobrado escanteio na cabeça de Gustavo Henrique, um dos zagueiros mais altos da Série A, ao lado de Tiago Barbosa (Internacional) e Robson Reis (Santos). O grandalhão de 1.96m cabeceou para dar início a mais uma noite feliz para a torcida do Flamengo.
Há propostas cada vez mais claras neste começo de trabalho do técnico Dorival Júnior. Ele definiu um sistema de jogo para titulares, reservas e time misto: o 4-3-3. O desenho era flagrante no gramado do Mané Garrincha. Um triângulo no meio de campo, dois pontas abertos e Pedro na referência. O treinador também quer reduzir o risco. As saídas de bola atrapalhadas da Era Paulo Sousa deram um tempo. O time saiu de campo pela sexta vez em 11 jogos sem ser vazado com Dorival Júnior. Mesmo com um camisa 10 travestido de 5, como Diego Ribas, à frente da zaga. Méritos de quem chegou para colocar a casa em ordem. Por mais arriscado que seja, há conceitos em aperfeiçoamento.
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