A Liga dos Campeões da Europa só tem um técnico negro campeão em 70 edições: Frank Rijkaard levou o Barcelona ao título na temporada de 2025/2026. Vincent Kompany tenta ser o segundo – e merece muito mais pelo engajamento no combate ao racismo do que pelo agradabilíssimo futebol do Bayern de Munique de Olise, Kane e Luis Diaz. A missão passa por eliminar o atual campeão Paris Saint-Germain.
Carrasco do Brasil nas quartas de final da Copa de 2018 ao participar do lance do primeiro gol da Bélgica, o ex-zagueiro endossou a luta de Vinicius Junior contra a injúria do argentino Prestianni do Benfica. Enquanto técnicos como Luis Enrique, Pep Guardiola e José Mourinho pisavam em ovos e até questionavam a postura de Vini, Vicent Kompany fez o discurso mais veemente em defesa do atacante brasileiro.
“Jose Mourinho disse que o Benfica não pode ser racista porque o seu maior jogador de todos os tempos foi Eusébio. Ele sabe o que os jogadores negros tiveram que passar na década de 1960? Ele estava lá viajando com Eusébio em todos os jogos fora de casa para ver o que ele sofreu? Usar o nome dele hoje para discutir com o Vini…”, atacou.
O engajamento de Kompany contra o racismo vai além do episódio de Vinicius Junior. Parceiro de Lukaku na seleção da Bélgica, ele também blindou o companheiro. Em 2019, o centroavante sofreu injúria contra o Cagliari na época em que vestia a camisa da Internazionale. “Romelu é uma vítima de algo vergonhoso não apenas no futebol, mas também na sociedade. Isso volta até de quem esperamos as decisões, e os problemas estão nessas organizações”, reclamou o então técnico do Anderlecht da Bélgica.
“O racismo real está no fato de que nenhuma dessas instituições têm representantes que realmente podem entender o que Romelu está passando. Você está lidando com várias pessoas, e quem tem o poder está dizendo a ele como ele (Lukaku) deve pensar e sentir quando, na verdade, essas pessoas não têm a menor ideia do que ele viveu. Essa é a verdadeira questão. Se você vai nas diretorias da Uefa, Fifa, a liga italiana, ou a liga inglesa, há uma real falta de diversidade. Simples assim”, concluiu Vincent Kompany.
No início da carreira de treinador, ele sofreu racismo quando era o dono da prancheta do Anderlecht em uma partida contra o Brugge. “Deixo este jogo chateado. Ao longo da partida, a comissão técnica e eu fomos insultados. Insultos racistas que também foram dirigidos aos jogadores. O dia terminou mal. Vou me encontrar com a comissão e com as pessoas que são importantes para mim. Não devemos vivenciar o que passamos aqui”, desabafou à época depois da partida válida pelo Campeonato Belga.
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