A vez de Alberto Valentim: Campeonato Carioca premia técnico “calouro” pelo quinto ano consecutivo

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Houve um tempo em que o Campeonato Carioca era “Parque dos Dinossauros”. O título estadual ficava (quase sempre) com os mesmos nomes: Joel Santana, Abel Braga, Antônio Lopes, Carlinhos, Zagallo… Pois nas últimas cinco edições, o torneio virou palco perfeito para o show dos calouros. A merecida conquista de Alberto Valentim à frente do Botafogo neste domingo é mais uma dessas histórias de sucesso repentino. O desafio dele, a partir de agora, é aproveitar o salto na carreira para brigar pelo status de técnico de segunda ou primeira linha. Fábio Carille, por exemplo, não para de subir degraus, de evoluir.

Em 2014, o Flamengo conquistou o Campeonato Carioca  sob a batuta de Jayme de Almeida. Meses antes, ele era tão somente um dos auxiliares de Mano Menezes. Havia sido campeão capixaba pela Desportiva em 1992, da Série C do Carioca de 1997 pelo CFZ, mas time grande era novidade na profissão. De uma hora para outra, o Flamengo caiu no colo dele. Iluminado, levou à conquista da Copa do Brasil de 2013, ganhou o Estadual com aquele gol em impedimento de Márcio Araújo e depois disso perdeu o encanto. Foi demitido, recontratado e mandado embora novamente pela diretoria. Atualmente, está desempregado. Provavelmente aposentado após a faxina geral no departamento de futebol.

No ano seguinte, foi a vez de Doriva brilhar no Campeonato Carioca. Em 2014, havia levado o Ituano ao título do Paulistão ao superar o Santos na final. Conquistou o título estadual em cima do Botafogo. Atualmente, Doriva comanda a Ponte Preta. A Macaca iniciará nesta semana a disputa da Série B do Brasileiro. Os títulos paulista e carioca em anos consecutivos anunciavam um futuro promissor para Doriva. Entretanto, depois das passagens por Atlético-PR, Vasco e São Paulo, treinou Bahia, Santa Cruz, Atlético-GO e Novorizontino.

Jorginho comandou o Vasco na temporada de 2016. Ao lado do assistente Zinho, brindou o clube com o bicampeonato estadual invicto superando o Botafogo na decisão. É o primeiro e único titulo do tetracampeão em um time brasileiro. Em 2006, havia levado o América-RJ ao vice da Taça Guanabara ao perder para a final do turno para o Botafogo. Embora Jorginho tenha trabalho no Vasco e no Flamengo, o mercado ainda não tem total confiança nele. O último trabalho de Jorginho foi no Bahia. Não deu liga e Paulo César Carpegiani e livrou o time do rebaixamento.

No ano passado, foi a vez de Zé Ricardo aproveitar a vitrine do Campeonato Carioca. Havia herdado o Flamengo de Muricy Ramalho em 2016, levou o time ao terceiro lugar no Brasileirão e conquistou o Estadual invicto contra o Fluminense. Porém, Zé Ricardo amargou eliminação na Libertadores, fez má campanha na Série A de 2017 no rubro-negro, perdeu o emprego e continua a carreira com um bom trabalho no Vasco. Além de levar o time à Libertadores, perdeu o título carioca nos pênaltis para o Botafogo.

Botafogo comandado por outro calouro que deu show. Alberto Valentim era assistente de Cuca no ano passado. Encerrou o Campeonato Brasileiro em terceiro lugar no Palmeiras. Preterido no alviverde, assumiu um Botafogo marcado pela eliminação precoce na Copa do Brasil diante do Aparecidense, triturado pelo Flamengo nas semifinais da Taça Guanabara e mudou a história da equipe a partir da Taça Rio. A equipe jogou de igual para igual com Flamengo, Fluminense e finalmente o Vasco neste domingo.

Alberto Valentim é o quinto técnico consecutivo a aproveitar a passarela do Campeonato Carioca para lançar o nome definitivamente no mercado. Tem tudo para ser um dos grandes nomes da nova geração de técnicos. Mas o discurso era o mesmo em relação a Doriva, Jorginho e Zé Ricardo. Até agora, nenhum deles se impôs, por exemplo, como Fábio Carille —  campeão brasileiro e bi do Paulistão pelo Corinthians.

De agora em diante, esse é o desafio de Alberto Valentim.

Técnicos campeões neste século

2018: Alberto Valentim (Botafogo)

2017: Zé Ricardo (Flamengo)

2016: Jorginho (Vasco)

2015: Doriva (Vasco

2014: Jayme de Almeida (Flamengo)

2013: Oswaldo de Oliveira (Botafogo)

2012: Abel Braga (Fluminense)

2011: Vanderlei Luxemburgo (Flamengo)

2010: Joel Santana (Botafogo)

2009: Cuca (Flamengo)

2008: Joel Santana (Flamengo)

2007: Ney Franco (Flamengo)

2006: Carlos Roberto (Botafogo)

2005: Abel Braga (Fluminense0

2004: Abel Braga (Flamengo)

2003: Antônio Lopes (Vasco)

2002: Robertinho (Fluminense)

2001: Mário Jorge Lobo Zagallo (Flamengo)

Marcos Paulo Lima

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