Vasco fortalece convicções de Marcelo Cabo e expõe leitura de jogo confusa de Rogério Ceni

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Marcelo Cabo é a escolha certa para o maior projeto do Vasco em 2021: o retorno à Série A do Campeonato Brasileiro. Foi campeão da segunda divisão à frente do Atlético-GO em 2016. Três anos depois, subiu o CSA. A vitória irretocável desta quinta-feira por 3 x 1 sobre o Flamengo, no Maracanã, pelo Campeonato Carioca, fortalece as convicções do espião de Dunga na Copa da África do Sul 2010 e ex-auxiliar de Jorginho no Figueirense na bela campanha do clube catarinense no Brasileirão 2011. Se os generais cruz-maltinos garantirem o mínimo de paz em São Januário, Cabo entregará, em dezembro, o presente de Natal que a torcida merece.

O Vasco venceu simplesmente porque a leitura de jogo de Marcelo Cabo supera a de Rogério Ceni. Com o jogo desta quinta, são seis duelos: cinco empates e um triunfo do comandante do Gigante da Colina. Cabo tem um elenco limitado e soube adaptá-lo ao Clássico dos Milhões. Rogério Ceni pilota um Boeing, mas não tem planos de voo para minimizar turbulências.

Marcelo Cabo fez o básico. Defendeu-se como nunca e contra-atacou como sempre o Flamengo permite na era pós-Jorge Jesus. Era assim na época de Doménec Torrent. Continua na passagem de Rogério Ceni. O time continua sofrendo muitos gols. São sete jogos com a equipe principal nesta temporada. Só não sofreu gol contra Botafogo e Bangu. A defesa foi vazada seis vezes em sete exibições, ou seja, praticamente um gol por partida. Vasco, Palmeiras, Madureira, Boavista e Resende balançaram a rede rubro-negra.

  • Rogério Ceni em clássicos
    Botafogo 0 x 1 Flamengo (Brasileirão)
    Flamengo 1 x 2 Fluminense (Brasileirão)
    Flamengo 2 x 0 Vasco (Brasileirão)
    Botafogo 0 x 2 Flamengo (Carioca)
    Flamengo 1 x 3 Vasco (Carioca)

Méritos, claro, de Marcelo Cabo. Ele escaneou o Flamengo. Mostrou os atalhos para o gol e conseguiu fazê-los, com direito a lei do ex. Autor do primeiro gol, Léo Matou vestiu a camisa do rival. Germán Cano e Morato, que golaço, foram concluíram a exibição de gala. Quando Vitinho fez o gol de honra, era tarde demais para tentar o empate.

Tarde demais, pois Rogério Ceni errou na leitura de jogo. Para mim, bagunçou o time ao saber que não contaria com Arrascaeta. Inventou moda ao deslocar Everton Ribeiro para a esquerda, errou no posicionamento de Gerson e bugou o Flamengo no primeiro tempo. Poderia simplesmente ter começado com Vitinho ou até mesmo Michael naquele pedaço. Ambos têm mais afinidade com Filipe Luís. Os equívocos de Ceni são recorrentes. Abel Ferreira perdeu a Supercopa do Brasil nos pênaltis, mas venceu o duelo tático contra o colega rubro-negro.

Bom para o Vasco. Não vencia o arquirrival havia cinco anos, desde o triunfo por 2 x 0 em 24 de abril de 2016, na Arena da Amazônia, em Manaus, pelo Carioca. Desde então, nove vitórias do Flamengo e sete empates. Portanto, quebrou o tabu, ainda tem chance de se classificar para as semifinais do Campeonato Carioca e ganha estabilidade para iniciar o trabalho na Série B independentemente de ficar ou não entre os quatro do Estadual.

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Marcos Paulo Lima

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