Blog Drible de Corpo

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Marcos Paulo Lima

Análises, opinião e lembranças do arco-da-velha sobre o futebol. 5.117 publicações

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Vasco 1 x 0 Vitória: a noite iluminada do copeiro Pedro Emanuel

Com mudanças certeiras após a expulsão de Barros e bela atuação de Léo Jardim, o técnico neutralizou os lados do campo, potencializou Andrés Gomez e abriu vantagem na Copa do Brasil

A celebração do gol de Andrés Gomez em São Januário. Foto: Matheus Lima/Vasco

O técnico do Vasco tem um perfil quase imperceptível. O currículo de Pedro Emanuel ostenta três copas nacionais. Era ele o treinador do Al-Taawaoun na conquista da Copa do Rei da Arábia Saudita em 2019. Foi o cara que levou o Apollon Limassol ao título da Copa do Chipre em 2015/2016. Brindou a modesta Acadêmica de Coimbra com a Taça de Portugal em 2012 ao derrotar o Sporting por 1 x 0 na decisão. Sabe quem comandava o time de Lisboa à época? Ricardo Sá Pinto, ex-dono da prancheta cruzmaltina.

Pedro Emanuel sabe o que é uma noite de Copa e lidava justamente com quem também se dedica muito a torneios de mata-mata. Jair Ventura levou o Corinthians ao vice na Copa do Brasil de 2018 depois de eliminar o Flamengo e perder o título para o Cruzeiro. 

No campo das ideias, O Vasco de Pedro Emanuel derrotou o Vitória de Jair Ventura por 1 x 0 porque entendeu não somente o jogo, mas as vulnerabilidades do adversário. A expulsão de Barros aos 17 minutos do primeiro tempo não abalou o técnico português. Ele parecia ter um plano emergencial guardado e o tirou do bolso rapidamente. 

Um dos pontos fortes do Vitória é a geração de jogo pelos lados do campo com Marinho na direita e Matheuzinho na esquerda. Pedro Emanuel toma uma decisão importante diante do momento de dificuldade. Troca o centroavante Spinelli pelo lateral-direito Paulo Henrique. A missão de quem entrou era formar uma dobra de laterais com Pumita Rodríguez e neutralizar o corredor esquerdo por onde Matheuzinho agredia. 

No segundo tempo, Pedro Emanuel mudou Colidio por David para renovar o gás da sustentação ao lateral-esquerdo Lucas Piton na batalha na outra banda do campo com as ações ofensivas do ponta-direita Marinho. Bloqueou também o outro corredor. 

O Vasco impôs ao Vitória a construção de jogo pelo meio de campo. Caique, Emanuel Martínez e Zé Vitor tiveram dificuldade. Mais do que isso: começaram a ser engolidos por Rique e principalmente o excelente Thiago Mendes. Ambos programados para desarmar o time rubro-negro e acionar rapidamente a válvula de escape: Andrés Gomez! 

O passe para a arrancada de Andres Gomez parte dos pés de Colidio. O argentino se desdobrava na marcação com Rique e Thiago Mendes em troca da velocidade de Andrés Gomez.  Assim saiu o gol da vitória. Confiante, o colombiano partiu com a bola dominada pelo meio, tinha Paulo Henrique aberto na direita, mas driblou para dentro e finalizou de perna esquerda no canto direito de Lucas Arcanjo. Tudo pensado por Pedro Emanuel.

O resultado foi consolidado por mais uma exibição mágica do goleiro. Questionado nas últimas atuações, Léo Jardim voltou a ser o paredão de São Januário. Brilhante, segurou o placar até o fim, salvou o plano de Pedro Emanuel e o Vasco levará a vantagem mínima para o temido Barradão, em Salvador, palco do segundo duelo estratégico pela vaga às semifinais.

O Vitória tem o fator casa. O Vasco, o histórico recente de chegada na Copa do Brasil. É o atual vice-campeão. Chegou às semifinais em 2024. Vem batendo na trave no projeto pelo bicampeonato.