Gama, de Caique Santos, foi formado a toque de caixa para Copa Verde. Foto: Lucas Sampaio/Gama
O Remo é freguês do Gama. O retrospecto aponta 5 vitórias do atual bicampeão candango, 2 empates e 2 derrotas em 9 confrontos. Porém, o presente indica o favoritismo do time paraense nas oitavas de final da Copa Verde nesta quarta-feira, às 16h, no Mangueirão, em Belém, com transmissão da TV Brasil. O Leão subiu para a Série B, é finalista da terceira divisão contra o Vila Nova-GO e está turbinado financeiramente por um projeto do Governo do Estado do Pará. Desamparado, o Gama montou elenco a toque de caixa e administra a maior crise econômica de seus 45 anos de história. Embora seja o clube de maior torcida na capital, o alviverde não tem mais respaldo do GDF. Houve investimento estatal no período da conquista da Série B (1998) até o adeus à Série A (2002). Na época, o BRB era parceiro do clube da cidade. Atualmente, investe pesado no Flamengo, um clube carioca.
Um dos trunfos do adversário do Gama é o Banpará. O banco estatal é patrocinador master do Remo e do Paysandu. Para reforçar ainda mais o caixa dos clubes, comprou os naming rights (direito aplicado à concessão da propriedade nominal de um determinado local a uma marca) dos estádios. Como contrapartida, as arenas passaram a se chamar Banpará Curuzu (Paysandu) e Banpará Baenão (Remo). Pelo contrato, cada um dos clubes recebeu R$ 1,5 milhão. Tudo para ter ao menos um deles na Série B em 2021. Quase aconteceu. O Remo subiu e o Paysandu deixou a vaga escapar na última rodada do quadrangular semifinal. Os arquirrivais não disputam juntos a Série B desde 2006.
Governador do Pará, o remista Helder Barbalho (MDB), do mesmo partido do governador do DF, Ibaneis Rocha, explicou que a ação saiu do papel para colaborar com os clubes pelo fato de os times fazerem parte da cultura e das tradições do Pará. A injeção financeira priorizou fortalecer a saúde financeira e a formação dos elencos para as competições. Enquanto isso, em Brasília, a torcida organizada do Gama, Ira Jovem, comandou protesto ao saber que Ibaneis Rocha havia decidido turbinar o Flamengo — time do coração dele —, em vez dos times do DF em uma ação com recursos do BRB.
Há semelhanças entre os perrengues financeiros de Remo e Gama. Fanáticos do time paraense fizeram vaquinha para pagar o bicho do elenco. A coleta arrecadou R$ 90 mil. Torcedores do Gama também passaram o chapéu na tentativa de amenizar salários e premiações atrasadas dos jogadores na fase de grupos da Série D do Campeonato Brasileiro.
Pressionado, o BRB convocou reuniões emergenciais e lançou um pacote de bondades para o futebol do Distrito Federal no ano passado. O programa de incentivo prevê investimento de R$ 6 milhões no futebol Candango até 2022 – prazo de validade do mandato do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. O blog mostrou que, até 29 de junho, apenas 2 dos 12 clubes participantes da primeira divisão do Candangão 2020 publicaram o balanço financeiro do exercício 2019 no prazo. Um deles, o Gama. O Capital é o outro.
O acesso ao investimento público é condicionado a apresentação de certidões de regularidade relativos a tributos federais e à Dívida Ativa da União; de débitos na Fazenda do Distrito Federal; no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e no Tribunal Superior do Trabalho. A maior dificuldade do Gama é justamente em relação às questões trabalhistas. Daí a dificuldade em estampar a marca BRB. Em Belém, Remo e Paysandu também estão no vermelho, mas o governo articulou uma reengenharia financeira para socorrer os clubes em tempos de pandemia do novo coronavírus.
A despedida do Gama da Série D foi melancólica. Protagonista da segunda melhor campanha geral da competição, o clube devia oito meses de salários atrasados e viu uma deserção em massa no elenco. Desfigurado, deu adeus ao torneio, no Bezerrão, contra o Goianésia. Para amenizar a crise no mata-mata, teve socorro financeira emergencial do Real Brasília, terceiro colocado no último Candangão. O Gama superou o Santos-AP na fase de grupos. Superar o reconstruído Remo, no Mangueirão, seria um senhor feito para um clube desamparado.
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