Uruguai vingou a derrota na Copa América 1989. Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
São Paulo — Há 30 anos, Oscar Washington Tabárez estreava na Copa América à frente do Uruguai com derrota para o Equador, por 1 x 0, no Serra Dourada. Era um jovem treinador que levara o Peñarol ao título da Libertadores dois anos antes, em 1987. Por sinal, o último de um time do país na principal competição de clubes do continente. Sob a batuta dele, em Goiânia, medalhões como Hugo de León, Alzamendi, Francescoli, Ruben Paz e Bengoechea não evitaram o gol de Hermem Benítez, a dois minutos do fim da partida.
Aquilo foi um vexame. O Equador dividia com a Venezuela a fama de patinho feio da América do Sul. Era saco de pancadas. Tabárez resistiu. Avançou ao quadrangular final em segundo lugar, atrás apenas da Argentina. Decidiu o título contra o Brasil na última rodada e perdeu por 1 x 0 com aquele gol de cabeça do baixinho Romário.
Neste domingo, 30 anos mais velho, o atualizado Tabárez deu o troco no Equador. Minutos depois de golear o adversário por 4 x 0, em Belo Horizonte, o treinador Reinaldo Rueda, do Chile, entrava na sala de conferências do Morumbi assustado. “O favorito máximo é o Uruguai, pelo grupo que tem e por ser o único processo (de trabalho) coerente respeitado na América do Sul. Tem um técnico que está lá há 13 anos, formando grupo, amadurecendo, coletando jovens, e ficou em quinto lugar na última Copa do Mundo”, argumentou o treinador colombiano, que enfrentará a Celeste no Maracanã na última rodada do Grupo C.
Reinaldo Rueda não cita os 13 anos de trabalho a toa. Até agora, comandou o Chile apenas em amistosos. Doze no total. Qualquer resultado nesta Copa América diferente dos títulos conquistados pelos antecessores Jorge Sampaoli (2015) e Juan Antonio Pizzi (2016) colocará seu trabalho em xeque. De 2006 para cá, Tabárez conquistou apenas a Copa América 2011. Foi eliminado nas quartas de final em 2015. Nem passou da fase de grupos em 2016, numa chave fraca contra México, Venezuela e Jamaica. Os vexames não o tiraram do cargo.
“O favorito máximo é o Uruguai, pelo grupo que tem e por ser o único processo (de trabalho) coerente respeitado na América do Sul. Tem um técnico que está lá há 13 anos, formando grupo, amadurecendo, coletando jovens, e ficou em quinto lugar na última Copa do Mundo”
Reinaldo Rueda, técnico do Chile, durante a entrevista no Morumbi
Curioso assistir, ler e ouvir tantos elogios ao trabalho de Tabárez no momento em que se vê o início de um movimento pela demissão de Tite caso ele não conquiste a Copa América. O gramado do vizinho é sempre mais verde do que o nosso. Na segunda era Tabárez, o Brasil trocou cinco vezes de técnico: Dunga, Mano Menezes, Luiz Felipe Scolari, Dunga e Tite. Apesar do entra e sai, ganhou uma Copa América (2007) e uma Copa das Confederações (2013).
Na sexta-feira, disse ao colega blogueiro Cosme Rímoli, no Morumbi, que o Uruguai seria campeão. Brinquei também com a colega Kelen Cristina, do Estado de Minas, parceiro do Correio Braziliense, que o campeão estrearia no domingo, lá no Mineirão. O Uruguai de Tabárez tem padrão de jogo (4-4-2), renovação em pontos chave da engrenagem e o melhor ataque da América do Sul. Quem tem Luis Suárez e Edinson Cavani?
Falta apenas um detalhe para Tabárez e o Uruguai serem campeões aqui dentro: não amarelar contra o Brasil. O técnico jamais derrotou a Seleção. Mais do que isso: de 2006 para cá, sofreu duas goleadas dentro do Centenário, em Montevidéu. Uma para o time de Dunga, por 4 x 0, e outra diante da trupe de Tite, por 4 x 1, em 2017. Nem assim foi demitido!
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