Tri do Flamengo na Libertadores mostra que plano tático nem sempre é suficiente para deter talento

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O tricampeonato do Flamengo na Libertadores consumado na tarde deste sábado na vitória por 1 x 0 contra o Athletico-PR, no Estádio Monumental, em Guayaquil, mostra que elaborar uma excelente estratégia não é suficiente para deter o melhor elenco da América do Sul. Rogério Ceni e Vítor Pereira tentaram, respectivamente, nas semifinais e na decisão da Copa do Brasil. Ambos tiraram a trupe de Dorival Júnior da zona de conforto, porém, não o suficiente para desbancar o time carioca. Motivo: carência de qualidade individual.

O Athletico-PR repetiu o filme. Luiz Felipe Scolari foi quase impecável na última decisão de título da carreira. Surpreendente, estabeleceu marcação individual para competir com o timaço do Flamengo no Equador e conseguiu durante quase todo o primeiro tempo. O adversário custou a entender o velho e bom “cada um com o seu” estabelecido pelo treinador. A falta de qualidade não permitiu, por exemplo, que Vitinho finalizasse com mais perícia diante do goleiro Santos depois da falha de David Luiz. Era um lance crucial.

O Athletico-PR conseguia deixar o Flamengo “bugado”, sem a costumeira troca de passes, mas não tinha precisão nas raras finalizações. Do outro lado, Éverton Ribeiro começou a mostrar um dos diferenciais do elenco de Dorival Júnior em relação ao de Luiz Felipe Scolari: a qualidade individual. O excelente meia-atacante começou a recuar. Forçava o marcador Hugo Moura a acompanhá-lo e começou a abrir clarões para quem vinha de trás. Thiago Maia e David Luiz, ambos eficientes no passe, começaram a ter liberdade para avançar. Os deslocamentos de Gabriel Barbosa e  Arrascaeta também começaram a mudar o jogo.

Dois momentos mudaram o cenário do jogo. Lesionado, Filipe Luís saiu para a entrada de Ayrton Lucas. O que parecia uma perda irreparável virou solução para a conquista do tri. O substituto deu profundidade ao Flamengo. Ofensivo, Ayrton Lucas começou a causar danos no lado direito da defesa adversária. Amarelado por causa de uma falta em Gabriel Barbosa, Pedro Henrique passou a sair à caça do lateral do Flamengo para cobrir os avanços do parceiro Khellven e deu ruim. O beque cometeu falta em Ayrton Lucas e foi corretamente expulso pelo árbitro argentino Patricio Loustau.

A superioridade numérica do Flamengo foi rapidamente traduzida em vantagem no placar graças ao QI de Éverton Ribeiro. Ponto forte do time, o lado direito voltou a ter liga. Rodinei acionou o camisa 7 e o cruzamento milimétrico impecável dele encontrou o atacante Gabriel Barbosa na segunda trave para estufar a rede pela 29ª vez na história da Libertadores. Igualou o recorde de Luizão e também se tornou o maior artilheiro do Brasil na competição.

Autor de gols com a camisa do Flamengo em três finais de Libertadores — dois no bi em 2019 e um no vice de 2020 contra o Palmeiras — Gabriel Barbosa poderia ter feito mais um no segundo tempo contra o Athletico-PR. No entanto, Bento cresceu na frente dele.

O Flamengo voltou a apresentar os problemas da decisão anterior contra o Corinthians. Perdeu peças importantes devido ao cansaço da temporada. Thiago Maia, Arrascaeta e Gabigol deixaram o campo. Quem entrou não conseguiu manter o alto padrão. Muito menos levou o time a ampliar o placar. Mesmo com um jogador a menos, o Athletico-PR teve pelo menos duas oportunidades para igualar o placar. Coube a Santos, ex-goleiro do Furacão, frustrá-las. No primeiro lance, deu rebote. No segundo, protagonizou belíssima ponte depois da cobrança de falta do uruguaio Terans. A batida tinha endereço certo.

Enquanto o Flamengo fazia de suas individualidades a chave para o tricampeonato na Libertadores, O Athletico-PR amargava derrotas semelhantes às do Corinthians na semifinal da Copa do Brasil e do São Paulo das quartas. Jogou no limite, mas não tinha um Éverton Ribeiro, um Gabriel Barbosa capaz de finalizar com a perícia demandada pela decisão de uma Copa Libertadores da América.

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Marcos Paulo Lima

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