Tite até quer o título, mas as pernas do Flamengo (e o Flu) não deixam

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O Flamengo não tem pernas para sustentar vitória. Que dirá competir pelo título na reta final do Campeonato Brasileiro, justamente quando mais se depende delas. Provou isso a Tite ao tomar virada do Grêmio, em Porto Alegre. Repetiu neste sábado ao ceder o empate ao Fluminense, no Maracanã, em um clássico equilibrado. O time rubro-negro foi melhor no primeiro tempo. O tricolor dominou a etapa final. Colocou o adversário na roda e o manteve distante da área. Detalhe importante na comparação entre o fôlego dos jogadores: há uma semana, parte dos atores tricolores encararam uma tensa prorrogação na final contra o Boca Juniors.

Resultado justo em uma temporada acirrada nos confrontos diretos: duas vitórias para cada lado e três igualdades. O time das Laranjeiras ganhou o Campeonato Carioca em cima do rival e arrancou-lhe o patch de campeão vigente da Libertadores. A equipe da Gávea parece condenada a amargar a Pré-Libertadores no início da temporada. O título é uma miragem.

A explicação para a falta de preparo físico do Flamengo é fácil. Um elenco profissional não pode ser orientado por quatro profissionais diferentes em um ano. O plantel rubro-negro começou a temporada sob as ordens de Mario Monteiro, o escolhido por Vítor Pereira. Na sequência, assumiu Jorge Sampaoli. O argentino trouxe Pablo Fernández. Demitido depois de dar um soco em Pedro, ele foi substituído temporariamente por Marcos Fernández até a chegada de Nicolás Maidana. O homem de confiança de Tite é Fabio Mahseredjian. Não há tempo para milagres.

“Nesse aspecto final, o mental é o físico, é o tático, é o técnico-individual, Essa junção de fatores é o que determina o desempenho, excelência, superioridade, superioridade de jogar bem, isso tudo interfere”, disse o técnico Tite na entrevista coletiva.

Tite não tem um elenco na ponta dos cascos, mas ostenta o melhor elenco do país. O técnico errou na volta para o segundo tempo. Em vez de continuar agressivo, o Flamengo necessitava de estabilidade. Na prática, o ideal seria adicionar um volante em campo e abrir mão de um atacante (Pedro) ou de um homem do meio de campo (Arrascaeta). Gerson assumiria o papel de articulador com Luiz Araújo, Everton Cebolinha e Pedro no comando do ataque.

Os cincos preparadores físicos diferentes do Flamengo em 2023

  • Vítor Pereira: Mario Monteiro (1)
  • Jorge Sampaoli: Pablo Fernández (2), Marcos Fernández (3) e Nicolas Maidana (4)
  • Tite: Fábio Mahseredjian (5)

A comissão técnica rubro-negra cometeu outro equívoco. Onde estavam Tite, Matheus Bachi, Cleber Xavier e César Sampaio enquanto Fernando Diniz repetia várias vezes um truque manjado na temporada? Lima entrou no lugar do zagueiro Marlon e André foi recuado para a defesa. O Flamengo ficou perdido diante da mudança de posicionamento e postura do adversário. Os auxiliares se revezavam ao pé do ouvido de Tite e o Fluminense colocava o Flamengo na roda.

A inteligência de Tite no lance do golaço de Arrascaeta no primeiro tempo, ao descolar espaço no meio da área tricolor como se fosse um falso nove na função de Pedro, faltou na jogada letal do Fluminense no empate. Diniz fazia a defesa do adversário dançar conforme o toque de bola e viu o goleiro Rossi falhar na finalização desengonçada de Yony González.

Quando Tite colocou a casa em ordem era tarde demais. Thiago Maia entrou e deu estabilidade ao meio de campo. Em contrapartida, faltou poder de fogo. O Flamengo não agrediu e escapou da virada. O vilão Rossi virou herói ao fechar o gol na única finalização clara de John Kennedy.

O Fluminense saiu de campo com a sensação do dever cumprido. Mais vale ver o Flamengo sofrer na Pré-Libertadores do que estender o tapete vermelho para vê-lo na fase de grupos. Tite e companhia terão de ralar muito nos últimos cinco jogos depois da Data Fifa.

A nota triste do jogo é Gabriel Barbosa. A temporada do ídolo do Flamengo é tenebrosa. O camisa 10 tem dois cartões vermelhos, um amarelo e apenas um gol nos últimos 13 jogos. Balançou a rede pela última vez nos 3 x 2 contra o Coritiba, no Couto Pereira. Era 18 de agosto…

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Marcos Paulo Lima

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