Revolução mexicana vai além da vitória do Tigres sobre o Palmeiras na semi do Mundial de Clubes

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A eliminação do Palmeiras na semifinal do Mundial de Clubes vai muito além da derrota por 1 x 0 para o Tigres. Tem um significado especial para o México. Questão de autoestima.

Os clubes mexicanos desistiram da Libertadores por vários motivos. Um deles, as travas no regulamento da principal competição da América do Sul.

Se chegassem à final, não poderiam jogar a segunda partida em casa. A partida seria na América do Sul. No caso de conquista do título, a vaga para o Mundial de Clubes não ficaria com o time mexicano, mas, sim, com o vice-campeão.

A velha administração da Conmebol queria os mexicanos para aumentar o nível da Libertadores e a receita do torneio, mas fazia de tudo para desanimá-los na luta pelo título.

Mesmo assim, o México participou de três decisões da Libertadores. Em 2001, o Boca Juniors precisou dos pênaltis, no Estádio La Bombonera, para superar o Cruz Azul.

Em 2010, o Internacional teve dois confrontos duríssimos com o América do México para superar o adversário por 5 x 3 no placar agregado.

Cinco anos depois, o River Plate venceu o Tigres por 3 x 0 na soma dos resultados da decisão de 2015. Dois anos depois, os clubes mexicanos decidiram sair do campeonato sob alegação de que havia choque entre os calendários da Libertadores e do Campeonato Mexicano.

A criação da Liga MX, como o torneio nacional passou a ser chamado, é de dar inveja aos clubes sul-americanos. É capaz de atrair astros de alto nível como o carrasco francês do Palmeiras André-Pierre Gignac, autor do gol da vitória por 1 x 0 neste domingo, no Catar,

A média de público da última Liga MX antes da pandemia do novo coronavírus foi de 23.784 por partida. O Brasileirão 2019 registrou 21.235 por jogo no ano em que o Flamengo foi campeão. Superou, inclusive, a Major League Soccer. A MLS teve média de 21.305.

A Liga MX tem milionários como Carlos Slim, dono do Pachuca, injetando grana nos clubes, exigência de cota de pelo menos 765 minutos em campo para jogadores jovens menos de 21 anos, manutenção do mata-mata e suspensão do rebaixamento até 2020.

O Mèxico faz sucesso em competições de base como Mundial Sub-17, Sub-220 e Jogos Olímpicos (Sub-23), mas é complexado nas competições de ponta organizadas pela Fifa. Só esteve nas quartas de final da Copa do Mundo no papel de país-sede, ou seja, em 1970 e 1986. O normal é cair nas oitavas de final, como em 2018, na Rússia, contra o Brasil.

Ganhou a Copa das Confederações em 1999 contra o Brasil, no Estádio Azteca, quando Vanderlei Luxemburgo concentrava-se no projeto olímpico para os Jogos de Sydney-2000.

Portanto, faltava ao México o grito de liberdade no Mundial de Clubes. O país jamais havia emplacado um time na decisão do torneio. Finalmente conseguiu neste domingo contra o Palmeiras. Azar dos metidos clubes sul-americanos.

A sensação dos campeões da Libertadores é quase sempre de prepotência quando há um mexicano pelo caminho no sorteio do Mundial de Clubes. Fala-se mais na possível decisão contra o campeão da Champions League do que no vencedor da Concachampions, apelido do torneio continental da Concacaf.

A América do Sul precisa despertar. O futebol mexicano evolui silenciosamente não somente por causa da presença do Tigres na final. A Liga MX está muito mais avançada, organizada e atraente do que a maioria dos das 10 competições nacionais da América do Sul. Daí a ausência de surpresa no sucesso do Tigres contra o Palmeiras.

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Marcos Paulo Lima

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