Sindicato ataca clubes por escalações irregulares de jogadores devolvidos pelas seleções após data Fifa

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O presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (Sapesp), Rinaldo Martorelli, está perplexo diante de atitudes recentes de clubes tradicionais do país que, segundo ele, pregam a modernidade no calendário do futebol brasileiro e, na prática, atuam na contramão do que defendem publicamente. Flamengo, Inter e Santos estão entre os citados.

Martorelli considera absurdo, por exemplo, o fato de o centroavante Paolo Guerrero ter disputado uma partida inteira diante do Uruguai no último dia 29 de março, pela Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo da Rússia-2018, e ter sido escalado no dia seguinte, 24 horas depois, para enfrentar o Vasco no clássico válido pela quarta rodada da Taça Guanabara. A diretoria do clube carioca montou uma logística para Guerrero viajar de Montevidéu a Brasília depois da derrota do Peru por 1 x 0 para o Uruguai, no Estádio Centenário. Martorelli pondera que Martín Silva, goleiro do time cruz-maltino, que também entrou em campo no Mané Garrincha, havia sido reserva nas duas partidas do Uruguai nas Eliminatórias.

Martorelli cita outros dois casos de jogadores que atuam no Brasil e entraram em campo 48 horas — e não 66 — depois de uma partida. O goleiro Alisson e o meia Lucas Lima defenderam Internacional e Santos, respectivamente, em partidas válidas pelos estaduais.

“Eu fico admirado com a atual diretoria do Flamengo, que tem um presidente que se diz de vanguarda, cometer um desrespeito como esse ao profissional Guerrero. Eu só considero uma pena que os jogadores não procurem os seus sindicatos para reclamarem desse tipo de coisa. Não adianta o órgão que os representa entrar com uma ação contra o clube, é preciso haver uma iniciativa por parte do jogador, mas isso raramente acontece. No fim das contas, é pior para o atleta, que se esforça e corre o risco de se desgastar com a torcida”, lamenta.

Apesar do esforço para disputar os dois clássicos do Flamengo, principalmente diante do Vasco, em Brasília, o centroavante ouviu xingamentos e críticas ao seu desempenho contra Vasco e Botafogo. Não balançou a rede em Brasília e muito menos em Juiz de Fora (MG).

Martorelli critica, ainda, o fato de os torcedores exaltarem muito mais as logísticas mirabolantes dos clubes para trazer os jogadores de longe para jogos fora do prazo regulamentar de descanso do que o desrespeito ao profissional de futebol.

“Eu lembro muito bem do caso do Neymar. Uma vez, ele jogou amistosos na Europa com a Seleção e, no dia seguinte, o Santos tinha um jogo importante no Brasil. O clube fretou um jatinho para trazê-lo. O Sindicato tentou protegê-lo, mas, aí, ouviu do pai do Neymar e do próprio Neymar que ele queria jogar. Mas se acontece alguma coisa, quem assume a responsabilidade?”, questiona Martorelli.

Marcos Paulo Lima

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