Brasil tem camisas 9 para o mercado interno, mas eles decepcionaram tanto que estão esquecidos

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Sempre fui leitor da revista Placar. Lembro-me de pelo menos duas capas proféticas a respeito de jovens centroavantes. Todas elas apontavam potenciais sucessores de Careca, Romário e Ronaldo — as três últimas grandes referências da camisa 9 do Brasil em Copa do Mundo.

Um delas trazia como manchete: “Te cuida, Ronaldo”. O personagem da edição era o então menino Alexandre Pato. A revelação do Internacional havia acabado de fechar com o Milan. A chamada daquela edição acrescentava: “Levanta voo e chega ao Milan para jogar ao lado do ídolo, mas pode até desbanca-lo”. Pato jamais ensaiou chegar aos pés do Fenômeno.

Em tempo de caça a centroavantes no mercado brasileiro, Alexandre Pato é um nome esquecido. Aos 32 anos, passa longe da lista de prioridades dos grandes clubes nacionais. Palmeiras e Corinthians, por exemplo, procuram camisa 9, mas o jogador do Orlando City sequer é cogitado. O alviverde corre contra o tempo para ter um matador no Mundial de Clubes da Fifa. Luiz Adriano e Deyverson, herói do bi da Libertadores, não convencem. O Timão atira para todo lado. Mirou Cavani, flerta com Diego Costa e se aproxima de Arthur Cabral.

Outra capa de Placar chamava a atenção para o centroavante Leandro Damião, uma das joias do Internacional. A manchete na capa da edição gaúcha brincava: “Grosso, eu? Como o trombador Leandro Damião se transformou no craque da lambreta”. O camisa 9 teve várias oportunidades em clubes de ponta do país, entre eles Inter, Flamengo, Santos e Cruzeiro.

Damião disputou os Jogos Olímpicos de Londres-2012, entrou em campo 17 vezes sob as ordens de Mano Menezes e Luiz Felipe Scolari na Seleção Brasileira, mas também caiu no esquecimento. Assim como Pato, tem 32 anos. Vai bem no futebol japonês, mas está longe de ser sonho de consumo dos times brasileiros. “Exilado” no Kawasaki Frontale, fez 31 gols em 48 jogos na temporada 2021 e deu 10 assistências. Os números não comovem times brasileiros.  Houve quem cravasse Damião como camisa 9 na Copa de 2014. Ele nunca disputou o torneio, mas acaba de ser um dos goleadores da J-League, o Campeonato Japonês, com 23 gols ao lado de Daizen Maeda.

Allan Kardec não foi personagem de capas proféticas da Placar, mas houve um lobby danado da imprensa paulista pela convocação dele para a Copa de 2014. Luiz Felipe Scolari ficou balançado, principalmente, por apreciar jogadores com o estilo de Kardec, mas preferiu Fred e Jô. O tempo mostrou que Allan Kardec era mesmo um jogador de fase para time.

Aos 33 anos, o centroavante do chinês Shenzhen pouco ou nada é lembrado pelos clubes que procuram camisas 9. Experiência ele tem de sobra. Revelado pelo Vasco, defendeu Internacional, Benfica, Santos, Palmeiras e São Paulo antes de se enraizar no futebol chinês.

Lembramos de três centroavantes da mesma geração. Todos nascidos em 1989 e 1990. Alexandre Pato, Leandro Damião e Allan Kardec poderiam tranquilamente vestir a camisa 9 de algum time de ponta ou mediano do futebol brasileiro, mas não há quem queira.

O São Paulo, por exemplo, repatriou Calleri. O Corinthians sonhava com Cavani. O Santos resolver apostar em Ricardo Goulart. O Fluminense aproveitou a saída de Cano do Vasco e contratou o Argentino para a reserva do ídolo Fred. O Atlético-MG foi buscar Diego Costa na Espanha. A aposta não vingou ele deixou o Galo. O Brasil segue formando camisas 9. Os veteranos Alexandre Pato, Leandro Damião e Allan Kardec provam isso. Mas todos eles são reféns do passado de decepções que construíram na carreira.

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Marcos Paulo Lima

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