Como no filme, Seleção passa sensação de que todo jogo é igual contra os rivais sul-americanos de sempre
Há vários motivos para você não morrer de amores pela Seleção Brasileira. Vou apontar um deles: O Feitiço do Tempo. Sim, trata-se de uma referência ao filme cult da década de 1990. A comédia tem como protagonista Bill Murray, um repórter destacado para cobrir o Dia da Marmota (Groundhog Day), 2 de fevereiro, em uma pequena cidade dos Estados Unidos. Por uma razão misteriosa, ele é condenado a uma prisão temporal em que revive o mesmo dia várias vezes sem fim.
Adenor Leonardo Bachi, o Tite, e a Seleção Brasileira, estão no papel de Bill Murray. Fazem bom trabalho na minha opinião, mas são reféns do feitiço do tempo. A sensação é de que estão sempre enfrentando — e vencendo — os mesmos adversários nas mesmas competições. Consequentemente, a torcida e os críticos têm aquela impressão de que “já vi esse filme”. Daí o certo enjoo, desinteresse, mesmo, com as exibições. Ainda mais em tempos de Eurocopa e Copa América.
O Brasil precisa ser testado por seleções de ponta da Europa. Foi eliminado por elas nas últimas quatro Copas do Mundo. Caiu contra França (2006), Holanda (2010), Alemanha (2014) e Bélgica (2018). No entanto, faltam datas, espaços na agenda das seleções de ponta no Velho Continente para amistosos. Resultado: a Seleção fica refém de duelos repetitivos contra adversários sul-americanos nas Eliminatórias, Copa América e partidas não oficiais. A pandemia do novo coronavírus encurtou ainda mais o calendário do futebol mundial.
O feitiço do tempo fará a Seleção desembarcar na Copa do Qatar-2022 sem aferir o nível do futebol contra França, Itália, Bélgica, Portugal, Holanda, Inglaterra, Alemanha, Croácia… Daí a desconfiança em relação à superioridade contra os repetitivos adversários sul-americanos.
Na noite desta quarta-feira, no entanto, o Brasil teve dificuldades. Reinaldo Rueda, ex-Flamengo, é um técnico colombiano, mas estudou, aprofundou-se em sistemas táticos na Alemanha. Tem repertório europeu para peitar a Seleção e mostrou isso na prática ao controlar as ideias de Tite, principalmente, no primeiro tempo. Domou os laterais Danilo e Alex Sandro ao colocar Luis Díaz e Cuadrado para jogar em cima deles. Bloqueou o repertório do Brasil pelo meio com os zagueiros Davinson Sánchez e Mina enquanto foi possível.
O Brasil evoluiu com a entrada de Roberto Firmino no lugar de Éverton Ribeiro e contou com uma tabelinha polêmica com o árbitro argentino Néstor Pitana para chegar ao gol de empate com direito a intervenção do VAR (assista ao vídeo abaixo). Conversei com dois ex-árbitros depois do jogo e há divergência sobre a legalidade do lance. No último lance, Neymar cobrou belíssimo escanteio na cabeça de Casemiro e expôs um pouco do trabalho de Tite nas bolas paradas. Lucas Paquetá atraiu dois marcadores, iludiu a defesa da Colômbia e deixou o capitão livre para estufar a rede e decretar a virada. Resultado de treino.
Por falar em ensaio, não adianta treinar no ótimo campo da Granja Comary e jogar no campo horroroso do estádio Nilton Santos. Você lembra de alguma seleção da Eurocopa que tenha encerrado a partida com o uniforme sujo, prontinho para ser encaminhado para a lavanderia? Não houve simplesmente porque, com raras exceções, há zelo pelo piso. Ao realizar a Copa América a toque de caixa no Brasil, a Conmebol prejudicou a qualidade do espetáculo de horrores vendido para o mundo inteiro.
Tite, Neymar, o técnico da Argentina, Lionel Scaloni, e o jogador eleito seis vezes melhor do mundo Messi têm razão ao reclamar do gramado do Engenhão. A tendência é piorar até o fim da Copa América. Não há tempo para milagres. Tem mais: quem viu a vitória do Flamengo sobre o Fortaleza pelo Brasileirão notou como está o gramado do Maracanã. Maracanã, palco da finalíssima do torneio improvisado da Conmebol no próximo dia 10 de julho.
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