Santos elimina Grêmio e mantém sonho do tetra no Maracanã, casa de festas do time na era Pelé

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Há uma atração entre o Santos e o Maracanã. Só pode. O principal estádio do país será palco do jogo único da final da Libertadores, em 30 de janeiro. Foi lá que o Santos, de Pelé, conquistou ou começou a ganhar três títulos internacionais. Ao derrotar o Grêmio por 4 x 1 na Vila Belmiro e desbancar o tricolor gaúcho por 5 x 2 no placar agregado, o Peixe está a duas partidas da disputa pelo tetra continental. O adversário na semifinal é argentino: Racing ou Boca Juniors.

Em 1963, o Santos mandou a partida de ida da final da Libertadores no Maracanã contra o Boca Juniors. Derrotou o Boca Juniors por 3 x 2 com gols de Coutinho (2) e de Lima. A conquista foi consolidada em La Bombonera com triunfo por 2 x 1, gols de Coutinho e Pelé.

No mesmo ano, ganhou a Copa Intercontinental contra o Milan. Perdeu por 4 x 0 no San Siro, devolveu o placar no Maracanã e venceu o terceiro jogo novamente no Rio por 1 x 0. Em 1962, havia mandado duelo de ida contra o Benfica no Maracanã e fez 3 x 2. Portanto, não duvide, há um imã no Maracanã que atrai o clube paulista a finais internacionais.

A temporada do Santos é simplesmente incrível. Em 12 de setembro, escrevi aqui no blog que o técnico Cuca faz o melhor da Série A entre os técnicos brasileiros e que Marinho tem tudo a ver com isso. Mantenho a análise publicada há três meses e o jogo desta terça não me deixou passar vergonha. Exibição de gala do time da Vila Belmiro.

Cuca brilha porque soube ser humilde. Em vez de gastar saliva menosprezando, minimizando ou relativizando os feitos dos colegas estrangeiros Jorge Jesus e Jorge Sampaoli no ano passado, deu relevância ao sucesso do português à frente do atual campeão Flamengo. Rendeu-se ao trabalho do argentino no próprio Santos, em 2019. Parece ter estudado e assimilado um pouquinho as ideias deles nos 11 meses em que ficou desempregado. Meu critério não leva em conta apenas o resultado, a classificação. Bom futebol faz parte do meu combo e sou bem exigente nesse quesito.

Atração fatal?
Os 8 títulos do Santos no Maracanã

  • Campeonato Brasileiro 1962
    Torneio Rio-São Paulo 1963
    Copa Intercontinental 1963
    Torneio Rio-São Paulo 1964
    Campeonato Brasileiro 1964
    Campeonato Brasileiro 1965
    Campeonato Brasileiro 1968
    Torneio Rio-São Paulo 1997

Enquanto alguns treinador esforçavam-se para diminuir os estrangeiros, Cuca reconhecia: “Acho o Sampaoli mais tático. Quando vai jogar contra o time dele no domingo, não adianta assistir ao jogo dele da quarta-feira. Não dá para amarrar o time dele, que não vai conseguir. O Jorge Jesus é diferente: ele tem uma filosofia de jogo e conseguiu fazer os jogadores do Flamengo terem harmonia com isso. Ele conseguiu fazer com que os jogadores tenham ambição de buscar a bola o tempo todo no ataque. O futebol cresce com a chegada deles, mas eles também foram ajudado pela montagem de elencos que tiveram, principalmente o Flamengo”, declarou, em maio deste ano, em entrevista ao programa Expediente Futebol do Fox Sports.

No início do ano, o Santos parecia um time sem jeito sob o comando do português Jesualdo Ferreira. Não evoluía. Mudou da água para o vinho com Cuca. O elenco suportou perdas como Gustavo Henrique (Flamengo), Éverson e Eduardo Sasha (Atlético-MG), David Braz e Vanderlei (Grêmio), Vitor Bueno (São Paulo). Amarga grave crise financeira. Na política, viu o ex-presidente sofrer impeachment. Suportou surto de covid-19 com direito a internação do técnico Cuca. Enfim, uma temporada digna de virar filme.

O Santos tem alternado o sistema de jogo no 4-3-3, 4-2-3-1, 4-1-4-1, 3-4-3 e 4-4-2. ideias de Cuca nem sempre dão certo, mas ele está sensível aos próprios equívocos. Erros de avaliação cobram correções de rumo imediatas. O técnico tem conseguido resolvê-los rapidamente. Soma-se a isso a temporada espetacular do atacante Marinho.

O atacante tem 21 gols em 33 jogos. O melhor ano da vida dele. E a descoberta de novos meninos da Vila como o centroavante Kaio Jorge. Há um ano, ele era campeão do Mundial Sub-17 com a Seleção aqui em Brasília, naquela virada por 2 x 1 sobre o México. Contra o Grêmio, fez três dos cinco gols do triunfo sobre o Grêmio no placar agregado. O Maracanã, repito, atrai o Santos rumo à final. O bom futebol também!

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Marcos Paulo Lima

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