Saiba por que o Brasil não jogará com a bola oficial da Copa do Mundo contra o Chile, em Brasília

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A Seleção treinou com a bola oficial da Copa do Mundo Feminina no período de atividades na Granja Comary, em Teresópolis, há duas semanas, antes da convocação, mas não jogará com ela no amistoso deste domingo, às 10h30, no Mané Garrincha. Por questões contratuais com a fornecedora de material esportivo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marta e companhia enfrentarão o Chile com o brinquedinho da Nike — e não a Oceaunz, estrela principal da competição na Oceania. A entidade confirmou ao blog a opção pela utilização da marca do patrocinador na partida de despedida do país, no Distrito Federal.

Os ensaios com a bola confeccionada pela Adidas, parceira da Fifa, serão retomados e intensificados no período de treinos na Austrália antes da estreia contra o Panamá, em 24 de julho. Atividades com a bola da Copa são recomendáveis porque ela é “diferentona”:  tecnológica e programada para ser mais rápida. Segundo os relatórios técnicos da Fifa sobre as duas edições anteriores da Copa do Mundo Feminina, a velocidade do jogo aumentou 11% e a distância média percorrida pelas atletas subiu para 15%. Nos bastidores, a Fifa projeta a Copa mais rápida e precisa da história e a bola foi programada para atender a essa demanda por aceleração.

“Trabalhamos em conjunto com a Fifa para implementar a tecnologia dessa bola semelhante à que os homens tiveram no Catar no ano passado. É incrível como uma bola pode medir tantos detalhes (velocidade, força de impacto, sensor de movimento. É a primeira bola oficial feminina com tecnologia e fará de cada jogo uma experiência mais detalhada, precisa e inovadora”, alertou Jeff Morris, diretor de Inovação da Adidas em entrevista recente ao diário esportivo Marca.

Oceaunz é uma fusão das siglas de Oceania, Austrália e Nova Zelândia, ou seja, o continente e os países-sede do evento. A pelota sucede versões anteriores como Etrusco Único (Cihina-1991), Questra (Suécia-1995), Icon (EUA-1999), Fevernova (EUA-1993), Teamgeist (China-2007), Speedcell (Alemanha-2011) e Context (2015 e 2019). Segundo a grife alemã, a bola é inspirada na natureza, na vanguarda tecnológica e na caridade. Do total das vendas, 1% será destinado a um projeto de investimento nas categorias de base do futebol feminino.

“É normal ter um desenho geral na cabeça antes de conhecer o país-sede do torneio, dois no caso. É como ter uma tela em branco para contar histórias. Quando viajamos para a Austrália e a Nova Zelândia, descobrimos dois países com uma grande beleza natural e um elemento comum: as ondas do mar. Foi o nosso ponto de partida”, explica Franziska Loeffelmann, diretora do departamento de design gráfico da Adidas. O setor é responsável pelo estilo há 11 anos.

“É preciso distinguir a estética da performance e unir tudo na mesma peça. Estamos em contato com as jogadoras nas diferentes fases do processo porque as apreciações dos profissionais nos ajudam a detectar e solucionar erros. Em geral, o feedback é positivo”, diz Solène Störmann, diretora de Global Football Hardware da Adidas. Ela veste a camisa da multinacional há oito anos.

A execução do projeto é dos artistas Chern’ee Sutton e Fiona Collis. O contrato recomendava a projeção de uma bola centrada na diversidade, inclusão e unidade. A Oceaunz tem linhas pretas e azuis em uma base branca em homenagem às costas e lagos da Austrália e da Nova Zelândia. Detalhes em amarelo refletem a areia das praias. Gráficos adicionais remetem à arte aborígine. “É verdade que a estética pode ser o que os jogadores menos valorizam na bola, mas temos que admitir que é bonita. Além de séria, ela é atraente”, orgulham-se os artesãos.

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Marcos Paulo Lima

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