HG3ygOEXcAA4rIu Plata celebra gol diante da de um goleiro Everson desolado na Arena MRV. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo Plata celebra gol diante da de um goleiro Everson desolado na Arena MRV. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

SAFs definham em mais um Brasileirão dominado por clubes associativos

Publicado em Esporte

Passamos de um terço do Campeonato Brasileiro e o pelotão de elite da maratona pelo título mostra uma curiosidade: as sociedades anônimas do futebol (SAFs) estão em crise. Não há uma no G4! O Athletico-PR tem a melhor campanha entre os times adeptos desse modelo de gestão, mas perde a quarta posição para o São Paulo nos critérios de desempate. O melhor colocado entre os clubes tradicionais é o Botafogo no oitavo lugar.

 

Quando os investidores começaram a desembarcar no Brasil, um dos discursos da nova governança era diferenciar-se das administrações consideradas arcaicas dos chamados clubes associativos comandados pela velha cartolagem. No entanto, comportamentos como os de John Textor no Botafogo e dos 4 R’s no Atlético-MG decepcionam o modelo reproduzindo as mazelas herdadas.

 

SAF’s à brasileira

 

Há dois anos, o Botafogo encantava o país na conquista inédita da Libertadores e no fim da abstinência no Campeonato Brasileiro, ambos em 2024. No sábado, o time alvinegro empatou por 2 x 2 com o Inter no Mané Garrincha em crise fora das quatro linhas. John Textor estava nas tribunas de honra, mas foi afastado do cargo. A SAF entrou em recuperação judicial. O jogo foi em Brasília por causa de um show no Nilson Nelson.

 

O Atlético-MG foi o time de 2021. Lembram do Triplete do Galo? Campeão do Mineiro, da Libertadores, do Brasileirão e semifinalista da Copa do Brasil antes de o clube se tornar uma Sociedade Anônima do Futebol. As melhores lembranças da era SAF são os vices na Libertadores e na Copa do Brasil em 2024 e na Sul-Americana de 2025. Todos em meio a crises internas. Problemas de relacionamento. Vestiário dividido. A barração da escalação de Hulk é um episódio amador de uma entidade liderada por executivos.

 

O Cruzeiro faz uma campanha de recuperação aparentemente tardia. Artur Jorge tirou o time celeste da zona do rebaixamento, ocupa o 12º lugar, mas é pouquíssimo para uma SAF protagonista de investimentos altíssimo como a contratação do meia Gerson.

 

Não conheço Pedro Lourenço pessoalmente, mas a impressão é de que ele age muito com a emoção e pouquíssimo com a razão nas decisões relativas à Raposa, o bichinho de estimação dele. Isso aumenta a margem de erro, como as contratações de Gabriel Barbosa em 2025 e do Tite nesta temporada. Pedrinho disse até que “verdades não duram 24h” no futebol. Foi vítima da própria língua ao bancar a permanência de Tite após a conquista do título mineiro e depois demiti-lo.

 

O Brasileirão continua dominado por gestões responsáveis e perenes de clubes associativos. O Palmeiras iniciou o padrão de qualidade atual com Paulo Nobre, passou por Mauricio Galiotte e segue de vento em popa com Leila Pereira. O Flamengo começou a revolução com Eduardo Bandeira de Mello, Rodolfo Landim colheu títulos e Luiz Eduardo Baptista, o Bap, mantém o time rubro-negro faminto nas competições.

 

As trapalhadas da SAFs desmitificam o discurso de modelos diferentes, de um admirável mundo novo em meio ao caos administrativo, financeiro e esportivo da maioria dos clubes associativos. As nomenclaturas e os CNPJs mudaram. A essência, os velhos vícios da cultura do futebol brasileiro continuam.

 

Quer um exemplo? Botafogo, Atlético-MG e Cruzeiro estão no segundo técnico em quatro meses. O Glorioso trocou Martin Anselmi por Franclim Carvalho. O Gala demitiu Jorge Sampaoli e contratou Eduardo Dominguez. A Raposa dispensou Tite e delegou a prancheta a Artur Jorge. Novos gestores, velhas manias, mais do mesmo.

 

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