Blog Drible de Corpo
Marcos Paulo Lima
Esporte 3 min de leitura
Santos evita leilão do CT Rei Pelé e garante concessão por 20 anos
A três dias das eleições, Lula participa da assinatura do acordo em Brasília; terreno poderá permanecer sob utilização do clube por mais duas décadas, com possibilidade de prorrogação
A três dias do primeiro turno das eleições presidenciais, em uma semana marcada pela proibição das bets e pelo esvaziamento da reunião convocada pelo Ministério do Esporte com os clubes, o Santos resolveu em Brasília uma pendência que se arrastava havia quase uma década.
Com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o clube assinou nesta quinta-feira (1º/10) o acordo que assegura a utilização do terreno do CT Rei Pelé pelos próximos 20 anos, prorrogáveis pelo mesmo período. Ironicamente, a vitória do Peixe com a chancela de Lula faz dois torcedores ilustres do Peixe felizes: antagônicos no Supremo Tribunal Federal (STF), os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes são declaradamente apaixonados pelo clube.
O entendimento afasta a ameaça de leilão do centro de treinamento, em Santos, e estabelece o parcelamento em 120 meses dos valores acumulados pela ocupação da área entre 2017 e 2026. A cerimônia ocorreu no Palácio do Planalto, com a presença do presidente alvinegro, Marcelo Teixeira, e dos ex-jogadores Pepe, Clodoaldo e Serginho Chulapa.
A solução encerra um dos capítulos mais delicados da relação entre o clube e a União. Entre 2024 e este ano, o processo de regularização avançou para a possibilidade de leilão do terreno, colocando em risco a continuidade das atividades no complexo que abriga o futebol profissional e as categorias de base.
“Trata-se de um dia histórico. Estávamos com uma insegurança muito grande desde 2017 em relação ao prosseguimento do grande trabalho social e de revelação de meninos e meninas que o Santos FC faz há tanto tempo no CT Rei Pelé”, afirmou Marcelo Teixeira.
O dirigente classificou o desfecho como uma das maiores vitórias recentes da instituição e agradeceu aos envolvidos nas negociações, especialmente durante a mobilização deste ano para impedir a perda do imóvel.
Uma década de impasse
A área onde funciona o CT Rei Pelé permaneceu cedida à Autoridade Portuária de Santos até 1993. Naquele período, a diretoria santista, também comandada por Marcelo Teixeira, trabalhou pela transferência do espaço ao clube. A utilização do terreno, localizado no bairro Jabaquara, começou em 1996.
Desde então, investimentos em campos de futebol, hotelaria, estrutura para as categorias de base, arquibancadas e recuperação física de atletas consolidaram o complexo como uma das principais instalações de treinamento do futebol brasileiro. O local também se tornou parte fundamental da estrutura de formação de jogadores do Santos.
O impasse jurídico-administrativo ganhou força em 2017, quando a Superintendência do Patrimônio da União em São Paulo notificou o clube sobre a necessidade de regularizar a ocupação. As tratativas esbarraram na definição das contrapartidas exigidas pela União e na complexidade burocrática do processo.
Entre 2024 e 2026, a possibilidade de leilão transformou a pendência em uma ameaça à continuidade do CT. O procedimento foi suspenso em 9 de junho, após recomendação do Ministério Público Federal (MPF), motivada por providências legais adotadas pelo Santos.
A interrupção abriu caminho para a retomada das negociações e a construção de uma solução consensual. Com o documento assinado nesta quinta-feira, o clube preserva o uso de uma área estratégica para o futebol profissional e a formação de novos talentos, enquanto assume o compromisso de quitar o passivo em 10 anos.