Rossi, Filipe Luís e o “cholismo” levam Flamengo à final da Libertadores

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O Flamengo está na final da Libertadores pela quarta vez em sete anos. Iniciado em 2013, o processo de reconstrução econômica do clube é coroado com a possibilidade de se tornar o primeiro time brasileiro tetracampeão continental graças a dois nomes: Rossi e Filipe Luís.

O goleiro argentino vvirou anjo da guarda nas quartas de final contra o Estudiantes e na semi diante do Racing. Brilhou nos pênaltis em La Plata. Trancou a meta rubro-negra a sete chaves na ida, no Maracanã, na melhor oportunidade da Academia na vitória por 1 x 0, e virou muralha no alçapão do adversário com duas defesas dignas de prêmio Lev Yashin.

Filipe Luís repete Paulo César Carpegiani. Em 1981, o sucessor de Cláudio Coutinho, que havia morrido em uma pesca submarina nas Ilhas Cagarras, assumiu o elenco e classificou o Flamengo para a decisão no papel de calouro na profissão. Um ano depois de liderar o sistema defensivo como volante na campanha do primeiro título no Brasileirão em 1980, ele trocou os pés pelas mãos para domar a prancheta de um grupo estrelado com Zico, Júnior, Leandro, Mozer, Adílio e companhia.

O outro mérito de Filipe Luís é a injeção de cholismo no elenco — a arte de saber sofrer, marca do estilo de Diego Simeone, ídolo e torcedor assumido do Racing. Ele até começou o jogo inspirado em Jorge Jesus com algumas novidades: chutes de fora da área do ponta Luiz Araújo. O meio de campo rubro-negro jogou — e não deixou jogar — até os 35 minutos do primeiro tempo. Os pequenos sustos eram controlados pela frieza de Agustín Rossi.

Sobre a escola (Simeone x Jesus), sempre quero jogar propondo, pressionar muito o adversário, ter domínio do jogo. Mas o adversário muitas vezes também quer ter volume, te pressionar, quer ter a bola. O jogo é de circunstâncias. No primeiro tempo, conseguimos encontrar os espaços, criar chances. No segundo, com essa desvantagem de um jogador, optamos por nos fechar. Uma eliminatória são 180 minutos. Tínhamos que aproveitar essa pequena vantagem do primeiro jogo, segurar, e deu certo.

Filipe Luís, técnico do Flamengo

Quando Plata recebeu cartão vermelho injustamente, Filipe Luís trocou o chip rapidamente. Baixou Diego Simeone nele e no time. O espírito de Atlético de Madrid contagiou a equipe brasileira com uma impressionante resistência aos 42 cruzamentos do Racing para a área com um jogador a menos. A impressão é de que o Flamengo treinou com cama elástica.

A entrega do Flamengo com 10 jogadores não é novidade em 11 meses de trabalho do Filipe Luis. Foi assim na semifinal da Copa do Brasil contra o Corinthians. Quando ficou com 10 na Neo Química Arena, ele colocou Fabrício Bruno ao lado de Léo Ortiz e Léo Pereira. Desta vez, inseriu Danilo na linha de cinco defensores e montou uma bateria antiaérea.

A classificação para a final não deixou mortos, mas tem feridos. Jorginho deixou o campo lesionado. Não sabemos se Pedro terá condição de jogo em 29 de novembro. A menos que o Flamengo acione novamente a Conmebol, há certeza na ausência de Gonzalo Plata.

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Marcos Paulo Lima

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