República Tcheca e Bélgica sobrevivem nos conflitos entre promissoras e subaproveitadas gerações

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Há quem insista em ironizar a geração belga, usar o termo com certo deboche com aquele jeitão de São Tomé, ou seja, só acredito vendo, para colocar fé no excelente trabalho feito naquela banda da Europa. Antes dos irmãos Hazard, Lukaku, De Bruyne, Witsel e companhia, os belgas amargavam eliminações na fase de grupos ou nas oitavas da Copa do Mundo e/ou Eurocopa. Caíram contra o Brasil, por exemplo, em 2002, naquele polêmico duelo em Kobe, no Japão, com gol legal anulado de Marc Wilmots.

Para brasileiro metido a besta, geração boa é que empilha títulos. Nem sempre. Uma geração como a belga pode fazer um país sentir-se representado novamente entre as principais seleções do mundo. A Bélgica ficou fora da Copa do Mundo em 2006 e 2010. Não se classificou para a Eurocopa em três edições consecutivas — 2004, 2008 e 2012.

A Bélgica sabe o quanto caminhou para figurar entre os melhores pela quinta vez em seis torneios disputados nos últimos sete anos. Em 2014, caiu nas quartas de final da Copa contra a Argentina. Dois anos depois, na mesma fase diante do País de Gales na Eurocopa. Em 2018, terminou o Mundial da Rússia em terceiro lugar. Deu adeus à Liga das Nações na fase de grupos em 2018/2019, mas está no Final Four em 2020/2021. Enfrentará a França em uma das semifinais. O vencedor terá pela frente Itália ou Espanha. Na Eurocopa, despachou o atual campeão Portugal neste domingo e está novamente nas quartas. Duelará com a Itália.

A ironizada geração belga devolveu o respeito a uma seleção que tem história. Em 1980, a geração de Pfaff, Gerets, Van der Elst e Ceulemans, comanda por Guy Thys, decidiu o título da Eurocopa contra a Alemanha, no Estádio Olímpico, em Roma. Perdeu por 2 x 1, mas deixou o sarrafo elevado para novas gerações como a atual, cada vez mais madura para conquistas.

Por falar em maturidade, a República Tcheca também tem a sua geração promissora. Em 2011, quatro jogadores do elenco protagonista da eliminação da Holanda decidiriam o título da Eurocopa Sub-19 contra a Espanha. O zagueiro Tomás Kalas e o lateral-esquerdo Pavel Kaderabek são joias daquele vice-campeonato. Os reservas Koubek e Brabek, também. Perderam o título para a geração de Morata, Sarabia, Carvajal e Alcácer. Dez anos depois, ajudaram a seleção a desbancar a Holanda e avançar às quartas do torneio continental.

Gerações promissoras ficaram para trás. A Holanda, devido a uma coleção de erros. A República Tcheca soube vencer, mas a expulsão de De Ligt, o controverso sistema tático 5-3-2, sem os tradicionais pontas da escola Johan Cruyff, e a mudança de comando durante o voo desajustaram a Laranja Mecânica. O ciclo havia sido iniciado por Ronald Koeman. Ele deixou o cargo para assumir o Barcelona e deu lugar a Frank de Boer.

Quanto a Portugal, há uma excelente geração nas mãos do treinador errado. Fernando Santos levou os lusitanos ao título da Eurocopa em 2016, brindou o país com a conquista da Nations League em 2019, mas, para mim, já deu. Ao contrário de cinco anos atrás, os lusitanos têm, hoje, bem mais do que o excelente Cristiano Ronaldo a oferecer. Uma turma de gajos bons de bola pede passagem: o bom João Félix, por exemplo, não pode ser reserva.

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Marcos Paulo Lima

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