Renato Gaúcho e o auxiliar-técnico Alexandre Mendes, o Gabeira. Foto: Lucas Uebel/Grêmio
A imagem foi flagrada em 2013 pela RBS TV. Renato Gaúcho estava à beira do campo em um jogo duro contra o Bahia, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. Angustiado com a dificuldade do time para superar a retranca do adversário baiano, o treinador do Grêmio olha para o banco de reservas e pede a opinião de um amigo de longa data. Alexandre Mendes, o “Gabeira”, então preparador físico, grita: “Bota o Zé, pô”, referindo-se ao veterano Zé Roberto, hoje no Palmeiras. O palpite foi acatado. Zé Roberto entrou, mas a partida terminou 0 x 0.
Os palpites de Alexandre Mendes renderam promoção. Gabeira passou de preparador físico a auxiliar-técnico de Renato Gaúcho. É, para comandante do tricolor gaúcho, o que Fabio Carille foi um dia para Adenor Leonardo Bachi, o Tite: fiel escudeiro, o braço direito. Um aprendiz com capacidade — ainda que limitada pela forte personalidade de Renato —, de influenciar o mestre em situações delicadas.
O curioso apelido de “Gabeira” foi dado pelo irreverente Renato Gaúcho. A primeira justificativa é de que, nas viagens ao Rio, Alexandre Mendes não abre de uma outro parceiro — a prancha. Logo, o apelido seria uma referência à surfista Maya Gabeira, filha do ex-deputado federal Fernando Gabeira. Outros dizem que há certa semelhança entre Alexandre Mendes e Fernando Gabeira.
Renato Gaúcho e Alexandre Mendes se conhecem há pelo menos 22 anos. Era 1995. Na época, o técnico ainda era atacante. Ídolo do Fluminense, fez o gol de barriga sobre o Flamengo e brindou o time das Laranjeiras com o título do Campeonato Carioca. Alexandre Mendes trabalhava no tricolor carioca como auxiliar de preparação física. Havia acabado de se formar.
O mundo da bola deu voltas. Renato aposentou-se. Trocou os pés pelas mãos e assumiu a prancheta. Quando topou o convite de Eurico Miranda para assumir o Vasco, não pensou duas vezes. Fez um convite irrecusável ao amigo Alexandre Mendes. Convenceu o brother a pedir demissão do Fluminense e segui-lo. O colega aceitou o desafio. Juntos, levaram a equipe cruz-maltina ao vice na Copa do Brasil de 2006. Concluíram o Campeonato Brasileiro em sexto lugar. A recompensa foi a eleição de Renato Gaúcho como melhor técnico da Série A.
A parceria teve altos e baixos. Em 2007, Renato Gaúcho e Alexandre Mendes levaram o Fluminense ao título inédito da Copa do Brasil. Venceram o Figueirense na final com um gol de Roger Machado, atual treinador do Atlético-MG. No ano seguinte, classificaram o tricolor para a final da Libertadores contra a LDU, depois de uma exibição épica no tempo normal e na prorrogação. A equipe equatoriana ganhou o título nos pênaltis.
A campanha aumentou a visibilidade do trabalho. Renato Gaúcho e Alexandre Mendes rodaram o país. Trabalharam no Bahia e assinaram o primeiro contrato com o Grêmio em 2010. Alexandre Mendes não era mais preparador físico. Chegava ao clube gaúcho como auxiliar-técnico.
Alexandre Mendes exibe no currículo o curso de técnico de futebol. Tem facilidade para fazer a leitura tática dos jogos. Há quem diga, até mais do que o próprio Renato Gaúcho. O técnico confia tanto no assistente que delegou ao discípulo mais de uma vez a missão de comandar o time. No início do ano, por exemplo, Alexandre Mendes comandou o Grêmio aqui em Brasília, no Mané Garrincha, na derrota por 2 x 0 para o Flamengo, pela Primeira Liga. A amizade entre Renato Gaúcho e Alexandre Mendes é tão forte que ambos costumam morar próximos. Geralmente, no mesmo hotel. Tudo para facilitar a troca de ideias, as resenhas táticas.
Quando Renato é expulso e cumpre suspensão, Alexandre Mendes é automaticamente o herdeiro da prancheta. Foi assim, por exemplo, nas semifinais da Copa do Brasil, no ano passado. Renato havia recebido cartão vermelho nas quartas, diante do Palmeiras. O assistente liderou o Grêmio no jogo de ida contra o Cruzeiro. Alexandre Mendes é tão discreto quanto era Fabio Carille no tempo em que ocupava a função de auxiliar do Corinthians, Curte o anonimato. Passa despercebido.
Apesar da discrição, Alexandre Mendes divide com o coordenador-técnico Valdir Espinosa o status de um dos caras mais influentes no relacionamento com Renato Gaúcho. Dá seus pitacos, como a citada sugestão da entrada de Zé Roberto contra o Bahia, em 2013, mas a decisão final é do chefe, que neste domingo tem a chance de pegar a prancha do amigo Gabeira, dar um caldo no Corinthians e surfar na onda da liderança isolada do Campeonato Brasileiro dentro de casa, na Arena do Grêmio.
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